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(Crédito: Pedro Carrilho)

(Por Caio Nolasco)

Os dreadlocks estão de volta junto com chapéu, jaqueta e camisa do Metallica. Marcelo D2 diz estar em uma fase metal e, não à toa, regravou o sucesso Polícia, dos Titãs com raiva e muito hardcore, lembrando o velho vocalista do Planet Hemp.  Mas se enganam aqueles que pensam que por causa disso vem coisa pesada de volta na praça: “Ontem mesmo gravei uma demo de piano e voz.”, afirma o cantor em conversa com o Vírgula Música.

Esses opostos caminharem juntos já é normal na vida do cantor que esteve nas gravações do Rock In Rio Box Brasil 30 Anos, na Cidade das Artes, no Rio de Janeiro. Sempre seguro de suas palavras e bem humorado, D2 falou sobre o projeto – onde canta além do sucesso dos Titãs, Samba Makossa, de Chico Science , e salientou seu ponto de vista sobre o festival que vai acontecer em setembro. Ele também anunciou um novo projeto; o coletivo Matuto: “Até o ano que vem tá na rua.”, crava.

Se liga no astral da conversa:

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(Crédito: Pedro Carrilho)

Virgula Música: qual a importância desse registro que junta uma nata da música brasileira da qual você faz parte?

Marcelo D2: Acho legal pra caramba, principalmente porque é algo documental. O Brasil esquece muito da história. A gente estar documentando um pouco da história da música com uma banda tocando o que a outra fez no Rock In Rio é muito legal. Acho que a ideia de juntar todo mundo também é uma boa. A princípio, pode parecer só mais uma caixa, mas o Rock In Rio é um festival muito importante na música brasileira, principalmente, pra essa geração que está aqui gravando.Eu ainda não vi, mas o fiquei sabendo que o Cidade (Negra) fez Legalize Já em reggae. Já eu, tô gravando Polícia com um arranjo um pouco diferente, mais hardcore. Além do registro, a gente valoriza mais o que é nosso e o Brasil faz isso muito pouco.

Você vai gravar Samba Makossa, que é uma música com qual já trabalhou, mas também vais gravar Polícia, de maneira inédita. Como vai sair esse sucesso repaginado?

A gente deu uma ensaiada outro dia e eu tô em um momento hardcore pra caramba e metal, sabe qual é?(mostra a camiseta do Metallica) Então, a gente fez uma versão mais forte que vai ficar legal.

Polícia tem um pouco de Planet Hemp também, não é?

Pra caramba, é bem a nossa cara. Adoro xingar a polícia. É sempre bom manter as coisas no lugar. (risos)

Você tocou no Rock In Rio em 2011, no Brasil, e em Portugal em 2006. O que você acha do Rock In Rio?

Eu acho que os festivais têm papeis diferentes. O Rock In Rio é um festival popular, com noites que não são nem de rock, como Stevie Wonder, Alicia Keys e Beyoncé, por exemplo. Uma galera até reclama, mas eu acho interessante. Tem festivais que são só de rock, outros mais alternativos. O Rock In Rio é numa cidade (Rio de Janeiro) que é super pop, eclética, e por isso acho legal ter de tudo.

Quando eu vim no primeiro Rock In Rio em 85, isso aqui era só mato. Era uma viagem chegar até esses lados da Barra (da Tijuca). Fiquei aqui três dias e minha mãe me procurou pelo Rio de Janeiro inteiro. Achou até que eu tinha morrido (risos). Mas esse festival, desde aquela época já tinha essa característica de fazer a  gente acreditar que dava pra fazer música para uma massa.

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(Crédito: Pedro Carrilho)

O Planet Hemp foi uma banda que jogou uma pedra na vidraça para se manifestar. Como você vê as bandas fazendo música hoje,  rola o mesmo ímpeto?

Esse é o papel da música. Mas a gente vive um momento bem diferente do que nos anos 90, quando o Rio era muito violento. As pessoas reclamam hoje, mas antigamente era inacreditável. Era terra de ninguém e a gente cantava um pouco isso também, não só a maconha. Hoje a molecada vive em um mundo virtual, que não é de verdade. É o lance de ser mais importante ter seguidores e views no youtube do que o cara cantando na sua frente. É diferente. Por outro lado, acho que estamos vivendo um dos melhores momentos de rap no Brasil. Fico feliz de ver essa galera livre que fala de amor, de polícia e de maconha em uma mesma banda. O hip hop sempre foi uma cultura muito livre.

Você falou que está em uma fase mais metal, podemos esperar algo novo mais pesado?

Cara, geralmente é o contrário. Eu ouço hardcore pra fazer samba, e ouço samba pra fazer hardcore. Eu costumo buscar nos lugares inusitados. Hoje, por exemplo, fiz uma música piano e voz e gravei uma demo. Sempre fui assim, gosto de misturar Bezerra da Silva com Metallica. Estou com um projeto novo também que é um coletivo chamado Matuto. Sou eu, Helio Bentes, WC – fazendo os beats-, Flip, Pedro Andrade e o Rafael Kent, fotógrafo e diretor. A gente está fazendo esse projeto que escrevi que se trata de disco com filme. É bem embrião ainda e eu até queria que saísse este ano, mas não vai rolar. Até o ano que vem tá na rua.

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(Crédito: Pedro Carrilho)

Saiba mais como foi a gravação do Rock In Rio Box Brasil 30 Anos:

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