Gloria Groove em foto de Rodolfo Magalhães

Após Arrasta, com participação de Léo Santana, a cantora Gloria Groove lançou recentemente Apaga a Luz.

Com cenário e fotografia cinematográficos, a faixa é inspirada no R&B. Gloria contracena com um convidado especial, Taiguara Nazareth.

As gravações aconteceram em São Paulo e a história aborda os relacionamentos que são levados no escuro por questões de não-aceitação e o preconceito com a feminilidade no universo gay. A direção é de Felipe Sassi, que já havia trabalhado com a popstar drag.

Gloria Groove é dona do hit Bumbum de Ouro, que liderou a lista Viral Brasil do Spotify e tem mais de 40 milhões de views no clipe.

Fale um pouco do conceito do seu novo trabalho, que mensagem quis passar?
Gloria Groove – Antes de mais nada quis pautar pela primeira vez em meu trabalho o afeto. Tanto na música quanto no vídeo. Visualmente, usando essa chance pra mostrar uma das diversas formas que o afeto se dá na vida de gays afeminados, drag queens, pessoas trans e não-binárias… é uma história sobre paixão e superação.

Quais são seus valores essenciais?
Gloria – Mais uma vez tento trazer à tona a importância que existe em se conhecer e saber seu próprio valor. Vivemos nos submetendo a todo tipo de abuso, físico e psicológico, muitas vezes por estarmos atrás de carinho e afeto, e cabe somente a nós saber o limite entre se doar e se abandonar.

Quais são suas referências estéticas?
Gloria – Pra este vídeo particularmente queríamos uma fotografia que remetesse aos anos 70. Eu e Felipe (Sassi, diretor) temos o gosto muito parecido pra videografia, então sempre acabamos nos inspirando também em alguma diva que temos em comum, como por exemplo a Lady Gaga. Já com a Bianca Jahara (styling) a pesquisa se aprofundou um pouco mais e passamos por looks desde Rihanna, passando por FKA Twigs até desfiles de alta costura.

Que características crê que sejam as mais marcantes da sua geração?
Gloria – Sinto que os artistas que ocupam esse território tem algo em comum que é a necessidade e a possibilidade de protagonizarem as próprias histórias e lutas, alguns pela primeira vez. Não é à toa que as produções do audiovisual brasileiro deram um salto em qualidade e conteúdo. Existe uma nova safra de artistas interessados em realizar grandes projetos de importância política e social.

O que acha de artistas se posicionarem ou não politicamente?
Gloria – Penso que se você tem voz, use-a. Ela pode sim fazer a diferença. Eu sou uma drag queen, e meu corpo de bicha afeminada é um corpo político. Pode-se dizer que ele por si já é um posicionamento. Se você faz arte e usufrui do apoio e incentivo de grupos historicamente oprimidos, cabe a você sim falar e lutar por essas pessoas.

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