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Tem gente que vê Michel Teló apenas como um cara de sorte por Ai se Eu Te Pego ter caído no seu colo. Mas o músico de 32 anos, que este ano completa 20 de carreira, é um batalhador.

Dos tempos em que ficava cinco horas animando bailes com sua sanfona, o músico conta guardar lições. “Aprendi que a gente tem que dar valor demais às pessoas que demonstram carinho, que tem um carinho pelo meu trabalho, acho importantíssimo isso. Às vezes, tem que colocar a cabeça no lugar porque com todo assédio, muitos artistas acabam esquecendo isso”, afirma em entrevista ao Virgula Música.

Teló conta a sacada de colocar percussão e dar uma cara mais dançante e mais pop ao sertanejo, veio “meio sem querer”, da época em que produzia os discos do grupo Tradição, do qual fez parte. “Como eu tinha um estúdio lá no Mato Grosso do Sul, eu gravava bandas de pagode, axé, rock, sertanejo. E um dia gravando uma percussão, eu pensei, cara, eu vou colocar percussão no Tradição, isso em 99, eu acho, 2000. E, de lá para cá, a música mudou depois desse disco”. 

Veja a nova Se Tudo Fosse Fácil, com Paula Fernandes

Leia a seguir a conversa nos estúdios da Jovem Pan, em que o cantor que lançou esta semana o clipe de Se Tudo Fosse Fácil, com participação de Paula Fernandesanalisa o momento atual da música, em que barreiras de gêneros estão caindo, conta que já ficou com fãs e se revela humilde, simpático e mais pé no chão que se espera de um fenômeno mundial.

Com o sucesso de Ai se Eu Te Pego faz dois anos que você mal consegue respirar. Você se programou para chegar um momento de dar uma acalmada, ou você pretende continuar no mesmo ritmo?

Eu vou falar para você, esse ano eu completo 20 anos de carreira. Então, são 20 anos de muito trabalho, comecei tocando baile. Só que o meu projeto é de continuar nessa pegada mais alguns anos. Porque é um desafio muito grande você dar continuidade a sua carreira. 

Minha carreira solo está muito recente, está completando quatro anos. Graças a Deus, em quatro anos a gente veio acertando uma música atrás da outras. Mas, na carreira a gente tem sempre o desafio de trazer coisas novas, de se reinventar, de trazer oportunidade para galera. E, para fazer isso, a gente tem que trabalhar bastante.

E meu intuito é esse ainda, continuar com o pé firme no acelerador.

Você fica lembrando e te influencia hoje de alguma maneira como foi o começo da sua carreira? Tipo, as dificuldades que você enfrentou?

Cara, eu lembro sempre. Quando tem essas coisas incríveis que acontecem no dia a dia. A gente viajar, no ano passado fomos para 18 países, receber o carinho das pessoas. Aí eu lembro que tocava baile, pegava ônibus de linha 1.400 quilômetros para ir fazer um baile, sabe? Toda a dificuldade que era, a gente tinha que carregar equipamento, eu era criança ainda, mas ajudava a carregar para montar o som. 

Isso, com certeza, valeu a pena demais, todo o trabalho, tudo que a gente batalhou, valeu a pena.

Amiga da Minha Irmã

Você recebeu incentivo dos seus pais, não é?

Sim, meu pai e minha mãe sempre me incentivaram muito, muito. Imagina você pegar um guri de 12 anos e deixar ele viajar Brasil afora, sozinho, às vezes. Entregar na mão de pessoas que você nem conhece direito, eu tocava numa banda que era do Paraná e eu morava no Mato Grosso do Sul.

Então, assim, meu pai sempre confiou muito em mim, na criação que ele me deu. E me incentivou muito, sempre acreditou muito.

A  sonoridade que você trouxe, que é bem típica do sul do Brasil…

Sim…

Acabou se tornando hoje uma espécie de modelo para a música brasileira, como você acha que isso aconteceu?

Do sertanejo, não é? Isso é uma influência do grupo Tradição, quando eu estava no Tradição, a gente acabou misturando um pouco do vanerão. Era um grupo de música sertaneja e música gaúcha, a gente misturava. Só que daí a gente deu uma pitada de percussão, uma batida mais moderna, o papo mais moderno e acabou influenciando na música sertaneja e hoje é muito por causa da Tradição.

E quem teve essa sacada de modernizar o passado?

Isso foi acontecendo instintivamente. Eu que sempre produzi os discos do Tradição, produzi todos os DVDs, quase todos os CDs, acho que foram 12 CDs e eu produzi, dez. Essa sacada de colocar a percussão, de dar uma cara mais dançante mais pop foi uma sacada que eu tive até meio sem querer. Como eu tinha um estúdio lá no Mato Grosso do Sul, eu gravava bandas de pagode, axé, rock, sertanejo. E um dia gravando uma percussão, eu pensei, cara, eu vou colocar percussão no Tradição, isso em 99, eu acho, 2000. E, de lá para cá, a música mudou depois desse disco.

Ai se Eu te Pego

Você concorda que quebrou uma barreira? Os cariocas antes não gostavam muito de sertanejo, era mais São Paulo e Nordeste, Norte… 

Eu acredito. Não só eu, todos os artistas dessa galera nova, o Zezé (Di Camargo & Luciano), o (Chitãozinho &) Xororó, Leandro & Leonardo já haviam quebrado uma barreira muito forte. Mas eu acho que esse novo sertanejo veio para romper mais ainda. Entrou em muitos lugares que não entravam e entrou muito forte. Aí você pega Luan (Santana), Jorge & Mateus, João Bosco & Vinicius, tem uma galera que ajudou muito.

E o que vem pela frente?

Acabei de lançar meu DVD novo, o Sunset, trazendo o Michel da balada, da festa, mostrando um lado mais romântico, tem uma música que eu comecei a trabalhar esta semana, que gravei com a Paula Fernandes, Se Tudo Fosse Fácil, uma música romântica, que gosto muito. Mostrando esse lado romântico do Michel. É isso que eu quero fazer, mostrar esse lado, além da festa, de levar alegria para galera.

Para você cantar uma música ela tem que ter a ver com a sua vida, ou você põe um personagem ali na história.

Não. Tem que ter a ver com o papo que a gente quer falar com a galera. Por exemplo, eu sou um cara que canto muito para o público que vai na balada. A Fugidinha, quando a gente gravou, Humilde Residência é um papo de balada, de festa. Não que aconteça com a minha vida, isso já aconteceu com tudo mundo, quem nunca quis dar uma fugidinha? Quem nunca quis levar uma menina para uma humilde residência? (risos) 

Então, assim, é uma coisa engraçada que acontece no cotidiano das pessoas, no dia a dia. É isso, a gente acaba contando de uma maneira engraçada, não que aconteça comigo. Às vezes, você coloca o personagem e vai que vai.

Fugidinha

Qual foi maior loucura que uma fã já fez por você?

A gente tem demonstração de carinho o tempo todo. Teve uma fã que fez uma carta de dois quilômetros, eram dois rolos desse tamanho (mostra), parecia aquelas fitas cassetes gigantes. Toda escrita, uma demonstração de carinho absurda.

Acontece sempre alguma coisinha ou outra na estrada.

E quando você estava solteiro rolava algo com fã?

Como eu comecei a tocar novo, com 12 anos, quando estava no bailão e estava solteiro, rolava sim, a gente acabava ficando com fã. É normal porque você está nesse ambiente e acaba rolando, mas eu sempre fui um cara que namorou sério durante muitos períodos. Sempre fui um cara mais na manha.

Você sente falta de alguma coisa dessa época?

Cara, eu sinto saudade. Eu lembro com muito carinho. Cada tempo é um tempo. Se você falar, quer voltar a tocar baile agora, cinco horas de baile? Eu acho que foi um tempo importante, mas que fica guardado com muito carinho no coração.

O que você mais aprendeu dessa época?

Aprendi que a gente tem que dar valor demais às pessoas que demonstram carinho, que tem um carinho pelo meu trabalho, acho importantíssimo isso. Às vezes, tem que colocar a cabeça no lugar porque com todo assédio, muitos artistas acabam esquecendo isso. E é importante colocar a cabeça no lugar e perceber, poxa, eu batalhei tanto para isso, para ter o reconhecimento e o carinho das pessoas, agora vamos fazer jus a todas essas maravilhas, essas graças que acontecem hoje.

Bará Berê

Que sensação espera que as pessoas sintam ao fim de um show seu ou quando ouvem seu disco?

Rapaz, como meu estilo é bastante dançante, de festa, é que as pessoas extravasem, dancem muito, se divirtam, curtam um show meu. É um show extremamente para cima, para fazer festa, alegria, para cima.

Então, eu gosto disso, eu gosto de ver a turma interagindo, pulando, cantando, dançando, liberando essa energia boa.

Você acha que a música passa por um momento de união de gêneros, como você falou, pega uma coisa do samba e do pop para o sertanejo?

Eu acho que sim, hoje o público está bem eclético. É lógico que tem o cara que gosta só de rock, pronto acabou, só ouve rock, o cara que curte música eletrônica e só ouve música eletrônica. Mas eu acho que na sua grande maioria, no meu som mesmo, eu toco música eletrônica, reggae, vanerão, sertanejo, forró. 

E eu gosto de misturar, no meu disco, tem música eletrônica, tem mistura com samba-rock, tem percussão da Bahia, forró. Isso tudo misturado. Eu sempre gostei de misturar, desde a época do Tradição, sempre foi uma característica minha. Isso mostra a riqueza cultural do nosso país e, assim, mostra que as pessoas mais estão curtindo, passeando por várias tribos. O cara que curte eletrônica, curte sertanejo, samba, pagode. E o pessoal passa de um gênero para outro tranquilamente, às vezes numa mesma festa rola de tudo, rola funk, rola de tudo.

Como você é fora do palco, o que você gosta de fazer?

Como a gente viaja muito, como tem muita viagem, fora do palco eu gosto de ficar em casa. Gosto de pescar, de fazer um churrasco com os amigos, com a família, cantar umas modas sertanejas. Gosto de ir para uma balada também, de assistir um show, essas coisas normais.

Humilde Residência

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