Emicida sempre tem um vaso de arruda no palco dos shows

Emicida sempre tem um vaso de arruda no palco dos shows

Emicida encerrou o primeiro dia do MIMO Festival, evento de música instrumental gratuito, em Paraty, litoral do Rio de Janeiro. O rapper paulistano cantou por quase duas horas debaixo de chuva fina para um público enlouquecido e de diferentes idades que o acompanhava nos refrões de todos os sucessos.

No setlist, entrou a maioria das canções do novo disco de estúdio, o ‘Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa…’. O trabalho foi resultado de uma viagem pela Angola e Cabo Verde em busca das raízes africanas e, claro, da influência musical que recebemos dos nossos antepassados. Entre as músicas deste álbum, estavam ‘Mãe’, ‘Passarinhos’ e ‘Madagascar’.

Além de estar acompanhado de seis músicos – quatro homens e duas mulheres – , o palco tinha também um vasinho de arruda no canto, uma espécie de superstição que o rapper leva para todos os shows. Já o ramo da planta atrás da orelha esquerda é um costume do dia a dia que também vai para as apresentações. Contando com as boas energias desta tradição, Emicida puxou um coral cantando sucessos antigos, como ‘Levanta e Anda’, ‘Hoje Cedo’ e ‘Triunfo’.

Pela primeira vez em Paraty, Emicida repetiu várias vezes que viveu uma história de “amor à primeira vista” com a cidade e fez até uma homenagem dedicando uma música a uma fã que enviou uma carta para o cantor. “Gostaria muito de ficar mais tempo para curtir a cidade como turista porque já vi tem uma feirinha de artesanato aqui do lado e eu sou louco por artesanato. Mas não dá, tenho show em São Paulo”, contou em conversa exclusiva com o Virgula na tarde antes do show.

O rapper Emicida cantou por quase duas horas no primeiro dia do Mimo Festival. Além dos seus sucessos, puxou sambas ao lado do ídolo Wilson das Neves, de 80 anos.

O rapper convidou Wilson das Neves, de 80 anos, para participar do show

Na entrevista, ele falou também da participação especial do baterista, cantor e compositor Wilson das Neves, de 80 anos. “Estou feliz da vida porque vou tocar com Wilson Das Neves. O Seu Wilson é um grande ídolo que eu tenho. Pensa como é pra um cara ter um ídolo, poder ter ele como amigo e ainda convidar para participar de um espetáculo?”, comentou.

Cheio de estilo e samba no pé, Wilson das Neves subiu animado ao palco do MIMO: “vocês estão com pressa? Porque vamos até amanhã de manhã”, brincou. Ele e Emicida cantaram juntos clássicos do samba, como ‘Grande Hotel’, composição do carioca e de Chico Buarque, e também ‘O Dia Em que o Morro Descer e Não For Carnaval’.

“Eu digo que o samba seria como avô do rap, sabe? Às vezes, eu estou tão à vontade que até falo que o Cartola faz um rap”, contou Emicida sobre a influência do ritmo em suas músicas. E, completa: “o acaso fez com que o termo rap nascesse nos Estados Unidos. Mas se você passear pela história, vai encontrar um monte de manifestação oral, seja no repente de Pernambuco, seja na própria Jamaica. Todos os lugares tinham essas brincadeiras de pergunta e resposta”.

Veja a entrevista;

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Sobre o MIMO
O Circuito MIMO 2016 acontece também em Ouro Preto, Tiradentes, Rio de Janeiro e Olinda. Para mais informações e a programação completa, acesse o site oficial. Em Paraty, as atrações gratuitas vão de 14 a 16 de outubro no Centro Histórico da cidade. Entre as atrações, Emicida e Elza Soares.

Afirmando-se como uma experiência multicultural, inovadora e já tendo sido prestigiado por um público superior a 1 milhão de espectadores, o MIMO Festival promoverá este ano mais de 50 concertos, em espaços do patrimônio público, como igrejas e praças, além de teatros e centros culturais, exibirá 27 filmes inéditos em circuito comercial, que compõem a programação do Festival MIMO de Cinema, workshop e palestras do Fórum de Ideias e a Chuva de Poesia.

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