As apresentações dos DJs brasileiros Marky e Renato Cohen, e dos internacionais Dave Angel, Groove Armada e Technasia foram alguns dos destaques do festival de música eletrônica Skol Beats, que terminou nas primeiras horas da manhã deste domingo no Autódromo de Interlagos, em São Paulo.

O público, predominantemente entre 20 e 25 anos de idade, era de aproximadamente 40 mil pessoas, conforme a expectativa da organização. Os ingressos estavam esgotados desde sexta-feira e até os cambistas ficaram desfalcados –as entradas que restaram foram vendidas por até 100 reais.

Nos arredores do autódromo, diversos ônibus de outras cidades paulistas e Estados davam uma mostra da popularidade do festival. Por volta das 23h de sábado, as filas para entrar no Skol Beats duravam pelo menos uma hora e o público tinha que passar por diversas barreiras de seguranças e catracas até chegar ao burburinho. Grupos de amigos comemoravam emocionados depois de finalmente conseguir chegar à festa.

A meia lua do início da madrugada de domingo já estava encoberta e a pista de drum’n’bass dançava freneticamente ao som do ídolo Marky. A lotação era tanta que várias pessoas assistiram ao show de fora da tenda Movements. Foi mais uma excelente performance do DJ, que balançou para valer com viradas e skretchs, acompanhado de palmas.

Ao mesmo tempo, o grupo brasileiro de trance Influx fazia sua apresentação ao vivo no palco aberto, o Outdoor Stage, onde a acústica foi a melhor de todas as pistas. No espaço house, François K., residente no Body & Soul de Nova York, mantinha ritmo crescente e bem melódico. O britânico Dave Angel aumentava o ritmo das batidas na pista The End, de tecno, a esta altura bastante cheia, mas com espaço para dançar.

Canhões de luzes amarelas, azuis e vermelhas, televisores e balões com o nome da cerveja patrocinadora decoravam as pistas. O público era eclético e bem mais “normal” do que o das edições anteriores. E nos corredores entre as tendas, gente de todos os tipos se integrava. “Vim sozinha, conheci uma menina e agora estamos juntas curtindo o evento”, afirmou a paulistana Andreza de Campos Vieira, de 20 anos.

No meio da madrugada, quando as pistas estavam quentes e uma brisa fria refrescava o descampado do autódromo, Renato Cohen delirava a massa com uma apresentação brilhante de tecno no Outdoor Stage.

O DJ brasileiro Santiago, crescente no cenário da música eletrônica, pegava leve com um trance popular, bem aceito na pista banhada de raio laser. Depois dele, entrou John “00” Fleming, do clube britânico Gatecrasher, um dos símbolos do trance contemporâneo, também com bastante animação na pista e algumas batidas mais pesadas.

O norte-americano Todd Terry, um dos DJs mais esperados do festival, transformou a pista de house em uma discoteca com vocais, remix de Madonna e toques latinos. O britânico Bryan Gee mantinha o astral na pista de drum’n’bass, lançando “Shake it”, que está no CD mais recente do DJ Marky, no momento em que a manhã cinza começava a se firmar.

Lá pelas tantas, quando batia o cansaço, corpos estirados pela grama ou pelo asfalto do autódromo iam se tornando obstáculos para quem ainda estava no pique, zanzando pelas tendas. A área de Chill Out, especialmente reservada ao relax, ficou tomada de pessoas deitadas no chão, curtindo um cochilo.

Outra grande atração do palco ao ar livre foi a dupla Technasia, que bateu um gongo de verdade na pista e fez um show ao vivo de sucessos dançantes, entrando para a lista dos melhores do Skol Beats 2002. Mau Mau veio em seguida para dar uma chacoalhada extra nas últimas horas do festival, marcado pela qualidade das atrações –tanto brasileiras como dos clubes mais famosos da Europa.

Mas as boas performances e a agitação do festival não contiveram a decepção de quem, depois de enfrentar fila na entrada, teve que esperar de 10 a 15 minutos em outra fila para poder comprar fichas para os bares e barracas de alimentação. O autódromo parecia ter ficado pequeno para tanta gente.

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