‘Nos aceitam nas capas de revistas, mas não nos querem como vizinhos’, diz Thaíde

Fabiano Alcântara

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Atualizado em 14/11/2017

Thaíde

Divulgação Thaíde

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Rapper histórico de São Paulo, Thaíde faz show de pré-lançamento de seu novo álbum Vamo Que Vamo Que o Som Não Pode Parar no dia 15 de novembro, às 18h, no Sesc Bom Retiro.

“Com mensagens fortes, batidas pesadas e dançantes, o álbum, elaborado durante os três últimos anos, resgata as memórias do artista e, com muito amadurecimento, evidencia suas raízes”, afirma texto de divulgação.

Veja a ideia que nós trocamos com o monstrão. Ele fala, entre outros assuntos, sobre seu novo disco, a nova cena, racismo e que dica daria a um iniciante. Pega a visão:

Fale um pouco desse novo disco, vem com uma banca pesada, qual é o conceito, por que quis fazer?
Thaíde - Gosto da ideia de ter Mcs, DJs e produtores diferentes no mesmo trabalho. Levei mais ou menos 3 anos pra concluí-lo. Nesse disco tem Rodriguinho (Os Travessos), Ndee Naldinho, Rincon Sapiência, Marcelo D2, Don Cesão, Black Alien, Rapadura, Pump Killa, Kurtis Blow, Terra Preta, Xis, Ieda Hills e Mael Maria. Um time de peso. Um privilégio pra mim.

Como é ver suas letras se tornarem fonte de motivação, de dar força, ânimo, para quem ouve?
Thaíde – Sempre gostei de canções que dizem algo, que inspiram positivamente. Ter esse reconhecimento é muito gratificante. Uma honra.

Como é ver o negro ser cool e fashion de um lado e de outro sofrer imensamente com racismo e violência, como provam as estatísticas?
Thaíde  – O Brasil finalmente está mostrando quem é. Muitos aceitam nos ver em capas de revistas, mas não nos querem como vizinhos. Se por um lado estamos sob a mira dos holofotes, por outro, ainda estamos na mira da polícia.

Por que é importante que os brancos discutam racismo e como eles podem ser brancos melhores, na sua opinião?
Thaíde  – Os brancos, não! Alguns brancos. Conheço brancos que considero irmãos e sei que eles têm a mesma consideração por mim. E não tem essas de se tornar um branco melhor. Muitos deles já se acham os melhores. Ou você é um ser humano bom ou você é um ser humano ruim. Acredito nisso.

Revistas vem estampando modelos negros nas capas. Crê que o empoderamento e a autoestima dos negros esteja associada à sua presença não apenas na moda, mas na cultura, negócios e política?
Thaíde  – Com certeza! Podemos ser médicos cirurgiões, professores em faculdades, empresários multimilionários, donos de agência de publicidade. Podemos ser até Papa. Por que não?

O que tá rolando de mais novo da música hoje, na sua opinião?
Thaíde  – Arnaldo Tifu, com seu disco #Rap1997, Flora Matos também lançou um disco muito bom, Rincon Sapiência, com seu Galanga Livre. Um ótimo trabalho, já ganhou alguns prêmios. E por aí vai.

Quem são seus heróis musicais?
Thaíde  – Eu não diria heróis, mas inspiradores: Luiz Gonzaga, Wilson Simonal, Marvin Gaye, Candeia, Roberto Ribeiro, Ellen Oléria, Gladys Knight, The Pips e mais um monte de nomes.

Que dica daria a um iniciante? 
Thaíde  – Não tenha medo de ser autêntico. Tenha coragem de ser diferente, pra poder fazer a diferença.

SERVIÇO

Thaíde apresenta “Vamo Que Vamo Que o Som Não Pode Parar” no Sesc Bom Retiro Data: 15/11/2017 (quarta-feira) Horário: 18h Local: Sesc Bom Retiro Endereço: Alameda Nothmann, 185 – Bom Retiro, São Paulo – SP, 01216-000 Entrada: R$ 30 (inteira) Classificação: 12 anos. Duração: 90 Minutos. Lotação: 291 lugares.

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