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(Foto: Eric Oelke/ divulgação) Sorriso Maroto

Voltando a 1997, quando o Sorriso Maroto surgiu, o vocalista Bruno Cardoso, na época um adolescente, nunca imaginaria que 20 anos depois o grupo carioca fosse continuar firme, forte e fazendo sucesso. Outra coisa inimaginável na cabeça do músico é que o pagode, estilo musical mais ouvido no Brasil nos anos noventa e que seguiu presente nas paradas da década seguinte, fosse perder espaço para outros gêneros como o funk e o sertanejo, e mesmo assim se manter ativo. Mais um improvável acontecimento: que o pagode viria a se tornar cult.

“Já se passaram 20 anos?”, pergunta Bruno em exclusiva ao Virgula. “Você começa a lembrar de tudo o que foi feito. As alegrias, os desafios, as derrotas, as vitórias… Tudo começa a dar um peso à data, a tudo que envolve o Sorriso Maroto”, reflete o cantor de 36 anos ao relembrar as duas décadas de banda. Sobre as mudanças no mercado que assistiu nesse tempo, comenta: “O gênero popular no Brasil é cíclico. Já tivemos o pagode no topo, sertanejo no topo, internacional no topo, o forró e o funk no topo. É super saudável essa gangorra musical. Isso faz com que não nos acomodemos no sucesso e que criemos sempre uma forma de surpreender o público que curte um bom pagode”.

Outro fato que mantém Bruno empolgado com o estilo em pleno 2018 é que, além do grupo manter uma legião de fãs, de anos pra cá o pagode se tornou cult, sendo tocado em festas alternativas, descoladas e conquistando um público de outras classes. “Acho isso ótimo. É um novo posicionamento que o segmento está tomando. Tem dado uma combustão bem interessante e vem agregando um valor imenso ao nosso mercado”, celebra. 

Para comemorar esses 20 anos de muito amor e remelexo musical, o grupo soltou a inédita Chave e Cadeado, que ganhou um clipe especialíssimo com participações de Bella Falconi (que faz par com Bruno), Márcio KielingMumuzinho, DilsinhoMariana Xavier Ferrugem. Todos se sentiram mega a vontade de fazer os personagens e mandaram super bem. Pra nós, nota mil”, diz o músico. E promete: “Esse ano inteiro será de lançamentos em forma de celebração”. 

Confira o papo completo abaixo e fique por dentro das novidades do Sorriso Maroto. Vida longa ao pagode!

Cena de Chave e Cadeado

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(Foto: Eric Oelke/ divulgação) Sorriso Maroto

Como surgiu a ideia de chamar Bella Falconi, Mumuzinho e outros nomes para o clipe de Chave e Cadeado?

Num bate papo na van, entre um show e outro fizemos esse esboço. Falando sobre o roteiro, ficamos imaginando em quem poderia realizar as cenas. Com isso esclarecido, pensamos: quem seriam os atores? Daí começamos a falar nomes de amigos nossos da música, teatro, esporte… Que tivessem o perfil de interpretar os personagens. E assim aconteceu. Tudo fluiu como imaginamos. Todos se sentiram mega a vontade de fazer os personagens e mandaram super bem. Pra nós, nota mil (risos)

O Sorriso Maroto está completando 20 anos. Você imaginava chegar a duas décadas de sucesso? 

No primeiro momento tomamos um susto ao fazermos a conta. Aí você fala em pensamentos: Já se passaram 20 anos? Daí você começa a lembrar de tudo que foi feito. As alegrias, os desafios, as derrotas, as vitórias… Tudo começa a dar um peso à data, a tudo que envolve o Sorriso Maroto. Não que não fizéssemos esse exercício. Mas com 20 anos de estrada nas costas, fazer esse exercício é diferente. Assim tem sido pra nós.

O que você mais sente falta dos anos 90?

O momento do mercado fonográfico talvez seja a grande diferença. Hoje não falamos mais em disco de ouro, platina, platina duplo, diamante. Pegamos a última safra com essa métrica. Hoje, está praticamente extinto o disco físico. Agora tudo é digital. O celular virou o principal motivo de tudo. Se você não estiver na palma da mão da galera, o seu trabalho não terá audiência, visualização. Isso trouxe uma nova forma de comunicar a sua música. Um novo tempo.

Atualmente o funk é o estilo musical mais ouvido no Brasil. Você diria que o funk é o novo pagode?

Em números, sem dúvida! Mas o interessante é lembrar que o gênero popular no Brasil é cíclico. Já tivemos o pagode no topo, sertanejo no topo, internacional no topo, o forró no topo e o funk no top. O Brasil é muito eclético e rico musicalmente. É super saudável essa gangorra musical. Isso faz com que não nos acomodemos no sucesso e que criemos sempre uma forma de surpreender o público que curte um bom pagode.

O pagode tem espaço hoje em dia como nos anos 90 e 2000?

São momentos diferentes. Não dá pra comparar. Nos anos 90 tínhamos o olhar da indústria pra dentro do movimento do samba e pagode. Tudo que acontecia na época tinha um dedo da gravadora. A influência e os investimentos eram grandes. Era um momento em que elas tinham um poder muito grande de impulsão. Hoje, com a crise no país, um sistema analógico migrando pro digital e o movimento em entressafra de gerações, é normal uma pequena diminuição nos números e espaços. Ao mesmo tempo, o olhar da indústria apontou uma outra direção popular, o sertanejo e o pop/funk nacional são exemplos. Isso fez tornar mais latente essa diminuição nas grandes mídias. Mas dentro da cena, o pagode continua mega aquecido. Nas grandes mídias temos além dos artistas de maior bagagem como Thiaguinho, Péricles, Turma do Pagode e o próprio Sorriso. Temos uma grande ascensão da nova geração como: Dilsinho, Ferrugem e Mumuzinho, crescendo – e muito – digitalmente.

O que você acha do pagode ter se tornado ‘cult’ de uns anos pra cá, sendo tocado em festas alternativas e descoladas?

Acho ótimo. É um novo posicionamento que o segmento está tomando. É um misto de uma sensação nostálgica de gerações passadas, aliada a novas bandas. Isso tem dado uma combustão bem interessante no segmento. Tendo em vista que o público frequentador geralmente são classe A, B… o bilhete dos shows são mais caros e a entrega do show/festa é super interessante e diferenciada. Isso vem agregando um valor imenso ao nosso mercado e para aqueles que já estão inseridos nesse contexto.

Como será a comemoração dos 20 anos de Sorriso Maroto?

Esse ano inteiro será de lançamentos em forma de celebração. Shows, festas, músicas, clipes e muito mais serão fatos comemorativos. Podemos considerar que teremos 1 ano de festividade. 2018 promete! ‘Chave e cadeado’ e só o primeiro aperitivo, uma entrada pra essa grande festa.

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(Foto: Eric Oelke/ divulgação) Sorriso Maroto

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