Houve mais angústia e intriga do que em qualquer ópera italiana, mas finalmente Roma cortou a fita do maior auditório de música do país no domingo, preenchendo um vácuo aberto pelo ditador Benito Mussollini há 70 anos.

Burocracias, orçamentos inchados e a descoberta de ruínas antigas em Roma ameaçaram o projeto, dando chance para que a Cidade Eterna se transformasse em uma cidade eternamente em obras e adiando para nunca a inauguração de um novo teatro — o antigo foi posto abaixo pelo ditador fascista em 1934.

O Auditório de Música do Parque foi inaugurado depois de oito anos em construção, embora ainda seja necessário finalizar algumas obras, o que levou o teatro a ser fechado para ser reaberto novamente em dezembro.

O edifício moderno é obra do arquiteto italiano Renzo Piano, que construiu o Centro Pompidou de Paris nos anos 1970 com o parceiro inglês Richard Rogers.

“Apesar dos problemas iniciais, o Auditório vai transformar Roma no centro musical da Europa”, disse o prefeito Walter Veltroni na cerimônia de inauguração, descrevendo uma “nova Renascença, que vai atirar Roma para a dianteira dos eventos culturais internacionais.”

Repousando entre o rio Tibre e o bairro elegante de Parioli, seus três auditórios cercam um anfiteatro ao ar livre. Os auditórios, de tamanhos variados, distanciam-se um do outro, e de longe seus tetos em arco lembram um grupo de besouros.

O exterior é em chumbo, em uma referência a Roma antiga, segundo Piano, uma vez que o material vai se tornar branco no futuro, clareando o atual cinza. Outras cores dominantes são o mármore, os tijolos de terracota e o teto de cerejeira.

Os fãs de música poderão passear pelas ruínas de uma antiga vila romana, cuja descoberta adiou a obra em mais de dois anos.

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