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SÃO PAULO (Reuters) – Com o espírito brincalhão de “pegar umas músicas inusitadas e ver se dá para estragar”, o Sepultura decidiu investir num disco só de covers, o “Revolusongs”, que está sendo lançado esta semana pela gravadora FNM.

“A idéia era fazer uma coisa tosca, sem compromisso, escolhendo músicas que não fossem de metal até pelo desafio de deixá-las com a cara da banda”, revelou o baterista Igor Cavalera em entrevista à Reuters nesta terça-feira.

Gravado no Brasil, “Revolusongs” traz sete canções de grupos como U2, Jane’s Addiction, Massive Attack e Devo, mas também conta com alguns nomes consagrados do heavy metal, como Exodus e Hellhammer.

“Cada um (da banda) trouxe uma lista com dez músicas e escolhemos as que ficariam melhor com a roupagem do Sepultura, sendo que muita coisa como The Who, por exemplo, ficou de fora”, contou Igor.

O guitarrista Andreas Kisser afirmou que “foi muito legal a transformação das músicas, principalmente a ‘Black Steel in the Hour of Chaos’, do Public Enemy, que conta com a participação do rapper Sabotage”. Para relembrar os tempos em que começaram a gostar de música, a banda vai lançar uma tiragem inicial de 2.000 exemplares em vinil de “Revolusongs”, cuja capa trará Toninho, presidente do fã-clube brasileiro, usando no rosto um lenço com o símbolo do Sepultura.

“Começamos a ouvir música em vinil e acredito que os fãs irão gostar”, disse Igor, acrescentando que os admiradores do Spultura também deverão gostar da capa, que “lembra como eles foram ao show do Rock in Rio 3 em 2001 parecendo um verdadeiro exército”.

PROVA DE FOGO

Depois de enfrentar problemas com sua antiga gravadora, a Roadrunner, e da saída do vocalista e guitarrista Max Cavalera, pela primeira vez em 5 anos o Sepultura parece pronto para reconquistar o cenário internacional.

“Esse disco é uma prova de fogo para nós e até que enfim teremos apoio das gravadoras em todo o mundo na divulgação dos álbuns e turnês futuros”, desabafou Igor. O primeiro clipe do novo álbum, o cover da música “Bullet the Blue Sky”, do U2, deverá começar a ser exibido internacionalmente nas próximas semanas. A banda, além de “Revolusongs”, pretende gravar um disco para lançar em maio de 2003.

“O álbum terá 12 músicas mais curtas e diretas, lembrando o ‘Chaos A.D.’ (de 1993) e entraremos em estúdio já no começo de janeiro”, revelou Andreas.

Com isso, o Sepultura não planeja qualquer turnê ou show para divulgar “Revolusongs”.

Apesar de estar focando no futuro e “testando coisas novas”, conforme disse Andreas, a saída de Max é uma ferida que ainda não cicatrizou no Sepultura.

Em algumas entrevistas recentes o ex-vocalista revelou sua vontade de se reaproximar dos companheiros, mas Igor se mostrou cauteloso.

“Com o tempo é natural que a amizade volte, mas tocar junto no Sepultura é muito difícil. Não digo que nunca vamos tocar juntos novamente, mas duvido que será no Sepultura”, disse o baterista, que não mantém contato com seu irmão desde 1997.

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