ATTOOXXA em foto de Rafael Ramos

Um dos nomes que vêm despontando na nova cena de música brasileira, os baianos do ÀTTØØXXÁ são conhecidos pela liberdade musical que mistura o pagode baiano a batidas eletrônicas.

Com uma agenda concorrida, eles estarão em São Paulo para o Coala Festival, no sábado (1). A chegada de um novo clipe e disco, deve deixar o grupo ainda mais bombado. O coletivo é formado por OZ, Chibatinha, Raoni e Rafa Dias. Nós conversamos com Rafa sobre os próximos passos, nova cena e outros assuntos.

Vocês lançam clipe em setembro e disco em outubro, o que podem adiantar pra gente? Rafael – O clipe que vai ser lançado é da música Caixa Postal. É uma música que acreditamos muito porque ela tem signos do pop e uma situação que a gente vive em nossa juventude. Ela mostra mais desse novo projeto do ÀTTØØXXÁ que vem mais com a cara de Raoni (voz). O disco vai se chamar LuvBox e sai em outubro.

Ele fala muito desse universo dos amores, como o amor de casais ou pelas festas e pela família. O disco circunda essa onda, afinal, nesse mundo de hoje em dia, é preciso falar de amor. Não está sendo muito falado. O novo disco vem com uma cara muito pop e muito melódico, porque Raoni vem do soul, do R&B e ele se amarra no pagode de São Paulo e do Rio. Então tem um pouco disso tudo.

É uma coisa nova para o ÀTTØØXXÁ e para quem acompanha a gente também, mas trazer coisas novas faz parte da nossa proposta. Sempre que ouvir um disco nosso, vai ter algo novo ali.

Crê que exista algo na sua música que seja específico de seu lugar de origem?
Rafa Dias – Não tem como você fazer música hoje sem querer se comunicar com o mundo. A gente tem muito interesse em ser escutado pelo máximo de pessoas possível, porque acreditamos que temos algo para compartilhar. No caso do ÀTTØØXXÁ, a gente tem interesse em dar uma nova cara e um novo olhar para a música pop baiana. Nós temos uma história de experimentação com o pop, com a bossa nova e com o samba de roda. A gente quer contribuir com esse universo novo e experimental do pop baiano e para isso precisamos carregar nossa raiz e temos que ter sons específicos da Bahia.

O que está rolando de mais interessante na música hoje na sua opinião?
Rafa – A verdade é que há algum tempo tinha sido tirada dos artistas. Rolou um passado meio obscuro em que a indústria tirou a alma do artista. A arte tá voltando para a arte. Esse novo momento, você vê no mundo inteiro esse desejo e essa verdade nos artistas. O pop de hoje tem Anderson Paak, Kanye West, Mahmundi, Far From Alaska, que é um rock que é pop também. Tem um pop muito diverso e que reflete os nossos tempo e tá voltando a ter o desejo pela arte. Acho demais isso.

Que característica crê que seja mais marcante da sua geração?
Rafa – Eu sou do norte da Bahia, de Paulo Afonso. Cheguei em Salvador em 2004 e foi quando conheci muito da cultura negra. Essas questões não eram nem comentadas em Paulo Afonso. Lá as pessoas parecem estar um pouco mais evoluídas no aspecto do racismo. Já em Salvador, isso ainda é muito presente. Quando cheguei em Salvador, a maioria das pessoas negras tinham cabelo curtinho, cabelo amarrado ou alisado, enfim. Hoje, eu vejo uma geração que já está, realmente, empoderada. É fato. Eu venho disso. Desde sempre usei meu cabelo do jeito que era e sempre fiz cortes afros sem nem pensar nisso. Acredito que essa seja a característica mais marcante da geração, esse empoderamento.

Quais são suas referências estéticas?
Rafa – Queria passar com o nome do ÀTTØØXXÁ algo indígena, inclusive pela maneira que se escreve. Paulo Afonso é uma cidade circulada por índios e com certeza eu tenho alguma ligação com eles. Sempre vi a questão do negro acontecendo muito forte e comecei a questionar o porquê ninguém falava dos índios, eles perderam o lugar. O nome da banda, como a tipografia com a crase no primeiro A, o acento agudo no segundo A e o O cortado me lembra algo indígena. O nome ÀTTØØXXÁ também vem de um gosto meu pela dualidade, por isso tem dois A, dois T, dois O e dois X. Eu curto muitas coisas de estética, pra vídeo, pra roupa. Desde que conheci Kanye West, me interessei pela moda e pelo o que as pessoas estão vestindo. Nos vídeos, têm vários diretores que eu me amarro.

Quais são seus valores essenciais?
Rafa – Cada integrante tem uma cabeça, mas posso falar dos essenciais do ÀTTØØXXÁ, que são: liberdade, respeito, mete dança (nota da reportagem, gíria que significa “pra todo mundo dançar”) é religião e…. ÀTTØØXXÁ é foda, porra!

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