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A Virada Cultural foi uma grata surpresa para esta repórter, que em 2013 jurou para si mesma que nunca mais participaria do evento. Ao contrário do ano passado, em que presenciei um homem sendo esfaqueado por causa de um tênis, outro sendo covardemente agredido durante uma briga e incontáveis arrastões, a 10ª edição da Virada Cultural de São Paulo teve um saldo muito positivo (para mim, que fique claro!).

O evento, que terminou na noite deste domingo (18) após 24 horas de atrações, me deixou na memória afetiva uma ótima recordação. No sábado (17), circulei pelo perímetro que compreende o palco da estação de trem Júlio Prestes, passando pelos palcos Luz, General Osório, Liberó Badaró e pelas festas dos coletivos Metanol FM e Voodoohop, ambas perto da Rua dos Protestantes, coração da conhecida cracolândia.

Saca só o que vi de mais legal no sábado (17):

Após uma passagem pela Avenida Paulista, na casa de alguns amigos para um jantar e um esquenta, pegamos o metrô na estação Trianon/Masp e seguimos até a estação Luz. O clima no transporte público era de festa: pessoas de todas as idades, classes e grupos sociais, para lá de animadas, munidas de seu mapa de atrações.

O primeiro show da noite foi o de Baby do Brasil, que acompanhada de seu filho, Pedro Baby, mostrou os grandes hits de sua carreira e algumas faixas clássicas dos Novos Baianos. O clima era de descontração e segurança. Apesar de Baby não estar em uma noite muito inspirada e ter pregado mais do que cantado, animação da galera valeu a ida.

Também troquei uma ideia com uma mulher em situação de rua, que atualmente vive na região da cracolândia. Depois de me pedir uma latinha de cerveja vazia, ela me disse que se chamava Kátia. Na sequência, falou que Baby é baiana (sim, nós sabemos que ela é carioca), assim como ela, que veio de Feira de Santana. Kátia mandou muito “axé da Bahia” para quem estava na apresentação e disse que estava “curtindo” o evento “no quintal da sua casa”. Ela também entrou no papo quando o assunto era Pepeu Gomes, que na manhã do domingo também faria show ali. “Essa aí é o marido dela, né? Um cabeludo. Eu gosto dele”, afirmou antes de acrescentar: “esse eu não vou perder”.

Depois da Baby, resolvemos dar um tempo em uma praça de alimentação montada na rua e comemos um pastel.

De lá, depois uma passada no incrível projeto ‘Pimp My Carroça’, que reforma e customiza os carrinhos dos trabalhadores que recolhem lixo reciclável das ruas da cidade. A fila era grande para dar aquele ‘up’ no instrumento de trabalho.

A próxima parada foi a festa do coletivo Voddohoop, uma dos meus rolês preferidos. Como sempre a decoração estava incrível, com mascaras psicodélicas penduradas nas árvores, esculturas produzidas com material reciclável, a Nave Geodesica e muita música boa.

O destaque ficou por conta das projeções dos coletivos Laço e Jardim Elétrico. A programação visual, que em 2013 era um pequeno quadrado projetado em cima da frase “Usuário também é gente” (pichado na parede), esse ano evoluiu para duas grandes telas, que ocupavam dois prédios e eram vistas de uma longa distância. Uma viagem ao underground, como sempre.

Novamente dei um rolê pelas ruas mais inóspitas da região, sem grandes problemas. Uma única coisa me despertou certa curiosidade: bandeiras do Brasil coloriam o trajeto. Em ano de Copa do Mundo em casa, essa foi a primeira vez que vi uma rua enfeitada na cidade, faltando menos de um mês para o evento começar.

O segundo show que acompanhei foi o da cantora Mart’nália, que cantou os sucessos da carreira de seu pai, Martinho da Vila. Apesar de o som estar extremamente baixo, a apresentação foi muito animada. Vi famílias completas e amantes do samba curtindo pra caramba. Essa coisa democrática da Virada Cultural é algo me desperta uma sensação de alegria. Rola espaço para todas as tribos e todo mundo convive em harmonia. Dividir cultura é um negócio incrível. 

Quando a Mar’tnália terminou seu show, fiz mais uma boquinha para dar aquela acalmada na larica. De lá, segui para a festa do coletivo Metanol FM. O rolê estava muito animado, jovens dançando por todos os lados e muita música boa.

Apesar de adorar o clima montado pelos meninos do Metanol, a noite terminou mesmo foi na pista de dança da Voodoohop. O retorno para a casa foi muito tranquilo: trem até a Barra Funda e um táxi para a casa. Ufa, sobrevivi! 

Domingo e a chuva de granizo:


No tarde do domingo (18), fomos de metrô até o Largo do café, ao lado da estação São Bento, para se divertir nas festas dos Coletivos Pilantragi e Calefação Tropicaos. No primeiro, muita música brasileira e no segundo, latinidades que não deixam ninguém parado. O clima era de total descontração, reunião de amigos e pista cheia.

O meu plano era terminar o rolê com os shows de Valesca Popozuda, no Arouche, e da cantora Céu, interpretando o clássico Catch a Fire do Bob Marley, no palco Rio Branco. A chuva de granizo, contudo, acabou com a ideia e miou a festa. Terminei a Virada Cultural mandando um belo lanche de pernil no Estadão.

Virada Cultural 2015, espero por você!

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