Em um caso sem precedentes, uma corte no estado de Alabama, nos Estados Unidos, reconheceu que um feto, denominado de ‘Baby Roe’, é uma pessoa e, portanto, tem direitos. Com isso, autorizou que Ryan Magers, pai do feto, fosse adiante em um processo contra a clínica de saúde feminina e a empresa farmacêutica que produz os medicamentos usados no procedimento de aborto feito por sua sua ex-namorada. Segundo o jovem,  a mulher grávida decidiu abortar mesmo ele sendo contrário.

“Estou aqui por todos os homens que querem ter seus bebês. Eu tentei convencê-la a ter o filho, mas não consegui fazê-la mudar de ideia”, disse Magers em entrevista à ABC 31.

Ao site Refinery 29, Brent Helms, advogado do americano, disse que Magers já havia tentado legalmente evitar que a ex-namorada, que na época tinha entre 17 e 18 anos – ele não sabe precisar a idade correta-, fizesse o procedimento. “Ryan queria ter uma família, ele tinha um emprego extra para ajudar a cuidar da criança”.

Helms negou que a ação judicial seja uma forma de controlar a ex-namorada, que legalmente não pode ter a identidade revelada e nem teve seu lado da história divulgado. Sabe-se apenas que o aborto foi feito legalmente com 6 semanas de gestação.

O episódio tem gerado polêmica, já que Magers foca todos os argumentos na impossibilidade de ter sido ele a dar a palavra final na ocasião do aborto. Em entrevistas, ele não respondeu sobre quem cuidaria da criança. “Ele foi incapaz de forçar sua namorada a levar a gravidez adiante, por isso ele está tendo esta ação extrema para continuar exercendo controle sobre ela”, disse Elizabeth Nash, diretora do Guttmacher Institute, especializado em estudos sobre reprodução e direitos sexuais. Ela diz ainda que um feto só sobrevive no corpo da mãe, portanto, é ela a responsável pela decisão. E também é a mulher quem passa por todo o processa dramático do procedimento.

Do outro lado, movimentos contrários ao direito ao aborto e o próprio advogado, acreditam que este processo pode abrir caminho para que o procedimento seja revisto. “Se ganharmos o caso podemos ter como resultado a eliminação completa de se realizar abortos no estado do Alabama e a possibilidade de processar clínicas, médicos e qualquer pessoa envolvida”, disse o advogado.

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