Mr. Catra

Wagner Domingues Costa, o Mr. Catra, morreu no domingo (9), aos 49 anos, vítima de falência de órgãos múltiplos em decorrência de um câncer no estômago, deixando três esposas e 32 filhos.

O oncologista João Paulo Fogacci, da Oncoclínica Centro de Tratamento Oncológico, do Rio de Janeiro, alerta que a alimentação é um dos fatores que podem determinar para o surgimento da doença.

“Comidas ricas em sal associam-se ao câncer gástrico; comidas ricas em nitrato, responsáveis pela formação de compostos N-nitrosos, que podem ser encontrados de forma natural em alguns vegetais/batatas e também podem ser usados em alguns queijos, são encontrados de forma aumentada, em especial, nas carnes processadas (bacon, salsicha, presunto e carnes curadas). E, em 2015, a OMS reavaliou carnes processadas e elevou o risco para carcinógenos tipo 1 , o maior risco na escala”, listou.

“Vegetais e frutas parecem protetores, em especial os ricos em vitamina C, que reduzem a formação de compostos N-nitrosos dentro do estômago”, disse. “Fibras também parecem ser protetores”, ressaltou.

Sobre a prevenção para esse tipo de condição, ele disse: “Além da dieta, é recomendável manter o peso adequado por meio de atividade física e cessar o tabagismo. Com a devida indicação, a erradicação de H. Pylori, uma bactéria presente de forma endêmica na população brasileira, pode também levar à redução da incidência de câncer gástrico”, completou.

O pico de incidência se dá em sua maioria em homens, por volta dos 70 anos. Cerca de 65% dos pacientes diagnosticados com câncer de estômago têm mais de 50 anos, de acordo com o Inca, Instituto Nacional de Câncer.

Sobre os sintomas, o médico alertou: “Os sintomas mais comuns são desconfortos no estômago que podem ser expressos desde uma azia até sensação de estufamento após alimentação ou saciar-se com pouca quantidade de comida”, afirmou.

“Esses indícios listados podem ser comuns a uma gastrite ou doença ulcerosa péptica. Porém, quando associados a sinais de alertas como anemia ferropriva (perda de sangue), que pode causar cansaço, perda de peso não planejada ou associada a alguns achados no exame físico realizado pelo médico, ligam o sinal de alerta, sendo aconselháveis investigações mais profundas”, disse.

Em relação a medidas que poderiam ser tomadas para que a população saiba mais sobre o câncer de estômago, ele argumentou: “Acredito que conversar com o profissional da área seja interessante, uma vez que ele poderá orientar de fato quais são os dados mais relevantes referentes a esta doença e quais não são tanto – ainda mais no contexto atual de informações de fácil acesso na internet, porém nem sempre confiáveis”, alertou.

“Valendo lembrar também que nada substituiu até hoje a anamnse – conversa com paciente e um bom exame físico. Quanto aos sites confiáveis, oriento alguns como o do próprio INCA e da Sociedade Brasileira de Oncologia (SBOC) para obter informações de como se proteger não somente do câncer gástrico, mas de outros males preveníveis”, finalizou.

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