“Camisinha?” “Putz, não trouxe” “Você tem?” “Hum, também não” “Bom, tanto faz”. Imaginar um diálogo desses, entre solteiros ou casais em relacionamentos estáveis, não é mais tão absurdo assim – não como em décadas passadas, pelo menos. As reclamações que tornam o preservativo tão dispensável variam muito, de desconforto a dores durante a relação sexual. Quando a camisinha fica em segundo plano, o jeito é buscar outros métodos, mais e menos eficazes, para evitar a gravidez indesejada. Um dos mais populares, porém menos confiáveis, é o coito interrompido, quando o parceiro interrompe a relação sexual para evitar a ejaculação dentro da mulher.

Muitos fazem, mas poucos sabem os riscos que estão implícitos nesta prática. Para o ginecologista e obstetra Domingos Mantelli, trata-se de um método pouco eficaz e muito perigoso, não só pela questão de uma possível gravidez. O coito interrompido não protege o casal das Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs), como HIV, sífilis, clamídia, herpes, entre outras. É neste cenário, aliás, que falamos de uma epidemia de sífilis no Brasil, com 65 mil casos diagnosticados nos últimos 5 anos – em 2011, a taxa de infectados era de 1,2 mil. Assustador, né? Vamos às principais questões sobre o coito interrompido, então!

Só engravida se ejacular dentro?

Uma das maiores controvérsias em relação ao método tem a ver justamente com o momento da ejaculação. Algumas pessoas acreditam que basta tirar o pênis da vagina, quando o homem está perto do orgasmo, para evitar a fecundação. Vá com calma, pois não é bem assim. “Antes de ejacular, o homem libera uma secreção peniana. Não é o sêmen, ainda, mas ali pode haver algum espermatozoide. Quanto mais longa é a duração, maior é a chance do órgão masculino soltar esse pré-gozo. Se houver espermatozoide, a mulher tem chances de engravidar, mesmo que o parceiro ejacule fora”, explica Domingos Mantelli.

Quais são os maiores riscos?

Bem, a gravidez indesejada não está totalmente fora de cogitação, principalmente se a mulher estiver no período fértil e o homem não controlar totalmente a ejaculação. Além disso, o coito interrompido não apresenta nenhuma barreira física contra DSTs, como no caso dos preservativos feminino e masculino, conforme explica Mariana Halla, ginecologista e obstetra do Hospital e Maternidade São Luiz. Por isso, se o casal tem relações desprotegidas com outros parceiros, as chances de contrair alguma infecção é bem maior. Será que o risco vale a pena só por uma relação mais prazerosa, sem o desconforto da camisinha? Pense bem.

Coito interrompido é confiável?

Ele é um método contraceptivo, sem dúvida. O problema é considerá-lo sem nenhum tipo de precaução, ignorando falhas e riscos. A especialista Mariana Halla afirma que as taxas de falha observadas variam, dependendo da população estudada, cerca de 15-28% por ano, contra 0,3-8% dos métodos hormonais e 8-20% do preservativo masculino. Para funcionar, é fundamental que o homem tenha total controle da própria ejaculação, já que é ele quem dita a hora de parar. “Esse é um dos erros mais comuns, quando o homem não sabe a hora de parar e a primeira ejaculação acontece dentro da mulher”, alerta Domingos Mantelli.

E se fizer com a tabelinha?

A tabelinha é um cálculo que prevê o início e término do período fértil feminino. Com essa contagem, o coito interrompido realmente torna-se mais seguro, já que o casal consegue evitar relações desprotegidas nos dias mais arriscados. Mas tabelinha também não faz milagre, viu, gente? Antes de confiar cegamente, é preciso ter conhecimento do próprio corpo. “É uma boa alternativa, desde que a mulher tenha um ciclo menstrual regular. No ginecologista, ela pode aprender a identificar o período fértil e observar suas modificações corporais, como o aumento da temperatura basal e a saída de muco filante pela vagina”, orienta Mariana Halla.

É só usar a pílula do dia seguinte depois, né?

A orientação de ginecologistas e especialistas em reprodução humana é unânime: a PDS é um método emergencial, não anticoncepcional. Por isso, não deve ser considerada como uma alternativa em paralelo ao coito interrompido. Domingos Mantelli alerta que a pílula não deve ser tomada mais de uma vez em um período de seis meses. “É uma bomba hormonal, como se a mulher ingerisse 15 comprimidos de anticoncepcional de uma única vez. Ela desregula o ciclo da mulher e vai perdendo eficácia com o tempo”, afirma. A prevenção ainda é o melhor caminho, com ou sem o coito interrompido.

Se o problema está na influência de hormônio artificiais, é possível contar com a proteção de preservativos, masculino e feminino, diafragma e DIU de cobre, métodos bem eficazes. Só não vale cair no vacilo e deixar de conhecer outras alternativas à camisinha.

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