Ainda que a pílula anticoncepcional seja o método contraceptivo mais popular, ele não é a única opção para mulheres que não querem engravidar. Entretanto, esses últimos métodos não são tão discutidos. Pensando nisso, o Virgula preparou, com a ajuda dos ginecologistas Dr. Élvio Floresti e Dr. Renato de Oliveira, um guia básico sobre o dispositivo intra-uterino, o DIU, um dos métodos contraceptivos mais eficientes.

 

Como o DIU funciona?
A primeira coisa que você precisa saber a esse respeito é que existem dois tipos de dispositivos intra-uterinos, o de cobre e o hormonal, também conhecido como SIU (sistema intra-uterino em vez de dispositivo).

O DIU de cobre tem um formato de T e é feito de plástico coberto com alguns fios de cobre. Esse metal deixa o ambiente uterino hostil para os espermatozóides, matando-os. Também existe um DIU com prata associada ao cobre, que tem como efeito a diminuição do sangramento menstrual, que aumenta com a presença do DIU de cobre.

Já o hormonal libera o levonorgestrel, um tipo de progesterona sintética. Ao contrário dos anticoncepcionais, que agem nos ovários, o DIU hormonal age apenas localmente, no útero. “Ele praticamente abole a menstruação, ou pelo menos diminui o fluxo acentuadamente. Ele também elimina as cólicas e, por consequência, melhora a TPM”, pontua o Dr. Élvio. Além disso, o DIU hormonal é indicado em quadros de hipermenorragias, quando o fluxo menstrual é muito intenso. O médico acrescente, ainda, que “ele não precisa estar bem localizado, como o DIU de cobre; basta estar dentro do útero para que sua eficácia seja preservada”.

O DIU é abortivo?
Não. Tanto o DIU de cobre quanto o hormonal funcionam por transformar o útero em um ambiente hostil para os espermatozoides. Mas caso ocorra a gravidez, ele aumenta, sim, as chances de aborto, mesmo depois de retirado.

Eu nunca engravidei. Posso colocar o DIU? Quais são as contra-indicações?
Você pode colocar DIU mesmo não tendo dado à luz. Mas como acrescenta o dr. Renato: “Vale ressaltar que independentemente do DIU utilizado, a chance de rejeição do contraceptivo quem nunca engravidou é de 10%”. Para mulheres que já engravidaram, a rejeição acontece, em média, em uma a cada trinta mulheres.

Quanto às contraindicações: mulheres que nunca tiveram relações sexuais, que estão com infecções ativas no útero, câncer, ou sangramentos anormais no órgão. O dr. Élvio explica que os DIUs de cobre ou prata não são indicados para mulheres que já apresentam um ciclo menstrual intenso, com muitas cólicas e miomas. O dr. Renato também chama a atenção: o DIU hormonal não é indicado para quem tem histórico de câncer de mama na família.

 

O DIU aumenta as cólicas?
Apenas o DIU de cobre ou de prata.

 

Quais as chances de gravidez depois de inserido o DIU? E outros riscos?
Lembre-se que ainda não existe nenhum método contraceptivo que ofereça uma segurança de 100%. O Dr. Renato afirma que, se o DIU estiver bem colocado, o risco de gravidez é de três a cada mil mulheres. Ele também explica que os riscos do DIU são baixos, tirando os casos de expulsão. Mas ele alerta para a possibilidade de incorporação, em que o dispositivo ultrapassa a parede uterina e acaba dentro da barriga da paciente. O Dr. Élvio acrescenta que os DIUs de cobre e prata devem ser sempre acompanhados por ultrassom, “pois precisam estar bem localizados no fundo uterino, pois quando estão mais baixos, diminuem a eficácia e tem indicação de serem retirados”.

Como é a implementação?
O procedimento é bem simples e, segundo o Dr. Élvio, um médico experiente não demora mais do que três minutos para inseri-lo. Não são necessárias nem internação, nem sedação, mas o processo pode, sim, ser doloroso. Por isso o Dr Renato recomenda às suas pacientes a ingestão de analgésicos, 1 a 2 horas antes do procedimento. “Após a implementação, a paciente pode ter a Síndrome da resposta vagal, que resulta na queda de pressão da paciente. Passado a colocação, costuma-se não haver dor”, o ginecologista esclarece. “Se tiver dor ou sangramento, o DIU pode estar em processo de expulsão ou mal colocado, precisando de consulta médica”.

O DIU precisa ser trocado de quanto em quanto tempo?
O DIU hormonal dura cerca de cinco anos. Já o de cobre ou prata tem vida útil entre cinco e dez anos.

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