Apesar das campanhas e do aumento de discussão sobre o tema, o Brasil ainda anda em marcha ré sobre um importante tema de saúde pública: o aborto. Uma pesquisa feita em 23 países entre janeiro e fevereiro deste ano concluiu que apenas 16% dos brasileiros são favoráveis ao direito da interrupção da gravidez mesmo quando a mulher corre risco de vida. Só no Peru a resistência da população é ainda maior em relação ao assunto.

Brasil ainda é um dos países mais conservadores do mundo em relação ao aborto

Entre os brasileiros que apoiam a causa, 25% têm curso superior, mais de 30% são de classe alta, 24% são pais de família e 29% são profissionais sêniors. A posição do Brasil no ranking é bem abaixo da média, já que se fossem combinados os dados de todos os países, 45% do total concorda que a mulher tem direito ao aborto quando desejar.

“Apesar das diversas transformações dos últimos anos, como o aumento da escolaridade e como a redução da desigualdade social, em sua essência, a sociedade brasileira continua sendo absolutamente conservadora: 1,2 em cada 10 pessoas ainda acha que o aborto nunca deveria ser permitido, mesmo que a vida da mãe esteja em risco”, explica Dorival Mata-Machado, diretor da Ipsos no Brasil.

Na Suécia, por exemplo, 84% da população é favorável ao aborto em qualquer situação. Na França, o número é de 69% e, na Grã-Bretanha, de 62%. Até países considerados menos desenvolvidos economicamente e com forte tendência religiosa estão a frente do Brasil: na Índia, 40% são favoráveis e, na África do Sul, 31%. Nos países vizinhos, 26% dos argentinos são a favor e 25% dos mexicanos também.

Vale lembrar que no Brasil a lei permite aborto quando a mulher corre risco de vida ou quando engravidou por estupro. A interrupção é considerada crime com detenção de um a 10 anos se feita pela própria gestante, a pedido dela ou sem o consentimento da paciente.

E você, qual a sua posição sobre este tema tão importante?

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