Nas prateleiras de farmácias e supermercados, rótulos coloridos prometem o fim de “odores” na região íntima com um vasta opção de aromas artificiais: tem sabonete com perfume de jasmim, camomila, hortelã e, quiçá, frutas da estação. Não muito longe, é possível encontrar os protetores diários que, supostamente, mantêm o frescor da região íntima. Notou alguma coisa estranha? Bem, esses hábitos, apesar de tidos como “higiênicos”, podem comprometer a saúde da região íntima.

Não é nenhuma novidade dizer que a vagina é cercada por tabus, mitos e desinformação. Por isso mesmo, é natural reproduzir alguns comportamentos sem sequer questionar os prós e contras; ainda assim, o corpo sempre dá sinais de que algo não está rolando como deveria, e é preciso ficar atenta para que o hábito incorreto não se transforme em um problema de saúde mais grave.

Cuidado: nem todos os sabonetes têm o mesmo pH que o da região íntima. Alguns deles podem ressecar a mucosa da vagina, provocando irritações e infecções vaginais

Pequenas mudanças no cotidiano já fazem uma diferença notável em alguns dias, principalmente para as mulheres que sofrem com algum tipo de corrimento, por exemplo. Antes de pirar e querer comprar a farmácia inteira atrás de sabonetes, lenços e absorventes perfumados, veja o que você pode estar fazendo de errado – sem querer.

Absorvente diário te deixa mais “sequinha”?

Essa é a proposta dos protetores para serem usados todos os dias. Na teoria, eles funcionariam para “neutralizar” odores e a umidade da região. Na prática, porém, o uso indiscriminado desses absorventes é questionado por ginecologistas. “Quando você está com algum tipo de secreção e usa o protetor diário o tempo todo, é possível que o quadro evolua para uma infecção. Isso porque você abafa a região, deixando-a mais quente e úmida. Logo, a tendência é piorar”, explica Alfonso Massaguer, ginecologista e obstetra especializado em reprodução humana.

Sabonete íntimo faz bem?

A indústria farmacêutica defende mil e um benefícios dos sabonetes íntimos para a higiene da vagina. Mas será que é impossível viver sem o perfume de “flores do campo” lá embaixo? Para Juliana Amato, ginecologista e obstetra da Amato Instituto de Medicina Avançada, vale tentar.

“Geralmente, o sabonete íntimo não tem contra-indicação, mas também não existe nenhum estudo científico que comprove os benefícios. Em alguns casos, ele pode causar alergias, por conta do perfume. O ideal é lavar a região só com água, mesmo, nem sabonete. A vagina faz uma ‘autolimpeza’ ao longo do dia”, afirma a especialista.

Para quem sente a necessidade de lavar com alguma coisa, os sabonetes líquidos de glicerina são uma boa alternativa, já que não contam com aromatizantes artificiais. Os comuns, por sua vez, não são indicados, já que possuem um pH diferente do da vagina e podem causar o ressecamento da mucosa. A lavagem deve ocorrer só na parte externa, ok?

 

Lenços umedecidos e desodorantes íntimos “neutralizam” cheiros?

Não precisa jogar fora todo e qualquer item perfumado da sua necessáire de produtos íntimos – a não ser que eles causem algum tipo de alergia no seu corpo, é claro. Lenços umedecidos podem ser usados de vez em quando, se você sentir a necessidade de higienizar rapidamente a região. O mesmo vale para o desodorante íntimo. Vale ressaltar, porém, que o uso deve ser pontual, e não frequente. Ali, “nas partes baixas”, já há umidade suficiente, própria do corpo. Intensificar esse processo também abre portas para infecções e corrimentos chatinhos.

Outro detalhe importante, e talvez um pouco óbvio: o corpo feminino tem cheiros específicos, sim, como é o caso da vagina. Talvez compreender a natureza do organismo seja melhor do que tentar disfarçar com produtos químicos, não?

Roupas apertadas dão corrimento?

Pois é, essa parte não é lenda. Calças muito apertadas, principalmente nos dias mais quentes, podem aumentar a umidade da região íntima, cenário perfeito para as bactérias fazerem a festa – entre elas, a que causa a candidíase. Além disso, roupas justas podem ocasionar algum tipo de microfissura na parte interna da vagina, ocasionando uma infecção de pele secundária, tão grave quanto uma infecção vaginal.

Calcinha de algodão é melhor? E na hora de dormir?

Esse tópico é praticamente unanimidade entre os especialistas. Roupas sintéticas, como as de lycra, deixam a região mais abafada e, consequentemente, com uma tendência maior a infecções vaginais, por conta da umidade exagerada. Durante o dia, a dica é usar roupas íntimas de algodão, mais “fresquinhas”, e se libertar à noite. Na hora de dormir, o melhor é ficar sem calcinha mesmo. Esse é o momento ideal para a vagina “respirar”, livre da umidade natural de todo dia.

Pelos, por que tê-los?

Acredite, existe uma razão para eles estarem ali – e isso não tem a ver única e exclusivamente com a depilação nossa de cada dia. Fazer a “manutenção” da região e da virilha, por exemplo, não é algo que prejudica a saúde íntima. Porém, os pelos funcionam como uma “barreira física” do organismo, controlando a entrada de microorganismos na vagina. Além disso, o procedimento com cera pode ocasionar pequenos machucados e infecções de pele. De acordo com a ginecologista Juliana Amato, o único cuidado em relação à depilação é para que ela não vire uma rotina, além de ser realizada em um local seguro e de confiança.

Pepeca é coisa séria, minha gente! E essa moça chamada Kim Anami, idealizadora do Kung Fu Vaginal, parece saber muito bem disso…

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