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Cláudia Abreu e Fábio Assunção em cena de ‘Celebridade’ (2003) Foto: Divulgação

A partir da semana que vem, a Globo volta a exibir Senhora do Destino, produzida há 13 anos. Escrita por Aguinaldo Silva, a novela alcançou a maior audiência desde 1996, quando a emissora exibiu O Rei do Gado. A história de Maria do Carmo (Susana Vieira) em busca da filha perdida (Carolina Dieckmann) teve uma média de 50, 4 pontos de ibope. Cada ponto corresponde a 245.702 domicílios e a 688.211 espectadores. Para entender melhor o alcance, a trama teve 73,7% de share, número que equivale à porcentagem de televisores ligados no programa. Ou seja: de cada 100 televisores, 73 estavam conectados em Senhora do Destino.

Talvez pelo enorme êxito alcançado, a trama está sendo reprisada pela segunda vez. A primeira foi em fevereiro de 2009. É um feito alcançado por poucos títulos. A Gata Comeu (1985), por exemplo, foi reexibida três vezes: duas na faixa Vale a Pena Ver de Novo, em 1989 e 2001, e, agora, no canal pago Viva. A Viagem (1994) também teve vários repetecos: foi reprisada em 1997 e em 2006, também no Vale a Pena Ver de Novo, e, em 2015, no Viva.

Resolvemos brincar com esse fato e pensar exatamente o contrário: e as novelas que nunca foram reprisadas? Por motivos diferentes, algumas tramas de grande apelo popular nunca passaram de novo e caíram numa espécie de limbo. Veja quais:

 

Sol de Verão (1982)

SOL

Escrita por Manoel Carlos, trazia Tony Ramos como o surdo-mudo Abel. Sensível e inteligente, ele estava em busca da mãe e de sua verdadeira identidade. Trazia também Irene Ravache como Raquel, mulher forte que quebrava as convenções sociais da época e resolvia se separar em busca da felicidade. A novela, um sucesso, teve duração mais curta do que o previsto: foi encerrada no capítulo 137, em uma época em que as tramas tinham, em média, 180 episódios. Isso porque um dos protagonistas da trama, o ator Jardel Filho, morreu em pleno Carnaval, vítima de um ataque cardíaco. Amigo pessoal de Jardel, Manoel Carlos não conseguiu terminar o trabalho. Lauro César Muniz escreveu os dezessete capítulos finais com a colaboração de Gianfrancesco Guarnieri e Paulo Figueiredo, atores do elenco.

 

Corpo a Corpo (1984)

CRPO

Escrita por Gilberto Braga, foi um grande sucesso da década de 80. Trazia Débora Duarte no papel de Eloá, personagem que queria subir na vida. Ela acreditava ter chances de se destacar na empresa onde trabalhava ao lado do marido, Osmar (Antônio Fagundes). Para conseguir o seu objetivo, estava disposta a tudo, até a fazer um pacto com o Diabo. Não se sabe bem por que a novela, um dos trabalhos mais populares de Braga, nunca ganhou um repeteco.

 

Hipertensão (1986)

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Divertido e leve sucesso de Ivani Ribeiro (1922-1995) escrito para o horário das 7, trazia Maria Zilda Bethlem como Carina, atriz de um circo mambembe que tentava reencontrar o pai em uma pequena cidade de interior. Nessa busca, ela se deparava com três simpáticos senhores: Candinho (Paulo Gracindo), Romeu (Ary Fontoura) e Napoleão (Claudio Correa e Castro). Um dos três poderia ser seu pai. O que ela não sabia é que, no passado, os velhinhos haviam se casado com trigêmeas e que uma delas era a mãe de Carina. Destaque também para Claudia Abreu na pele de Luzia. A personagem morria perto do capítulo 100, empurrada de um barranco. A morte foi uma manobra da autora para liberar a atriz, escalada para atuar em O Outro. Apesar da trama contagiante e da boa audiência, a novelou acabou esquecida. Muitos atribuem ao fato de ela ter sido “imprensada’ entre dois sucessos: Cambalacho (1986) e Brega & Chique (1987).

 

O Outro (1987)

OUTRO

Trazia Malu Mader na pele da inesquecível Glorinha da Abolição, jovem que perambulava pelas ruas de Copacabana em busca do pai. Ela acabava se envolvendo com a família de Paulo Della Santa (Francisco Cuoco), milionário que tinha um sósia, o negociante Denizard de Matos (Cuoco), o “outro” do título. A novela marcou a estreia de Aguinaldo Silva como autor do horário das 8. O sucesso, no entanto, veio acompanhado de muito estresse: houve acusações de que a história seria uma releitura de Vidas Cruzadas, trama que Ivani Ribeiro escreveu para a TV Excelsior em 1965 e que tinha um mote muito semelhante.

 

Mandala (1987)

MANDALA

Inspirada na tragédia grega Édipo Rei, trazia Felipe Camargo e Vera Fisher como Édipo e Jocasta. No passado, Jocasta havia se envolvido com Laio (Perry Sales), um playboy alienado e muito místico, de quem ficou grávida. E foi em uma consulta com seu guru, Argemiro (Carlos Augusto Strazzer), que Laio ouviu que o filho iria odiá-lo. Assustado, ele dava um jeito de sumir com o bebê, para desespero de Jocasta. 25 anos depois, Laio e Édipo se encontravam, discutiam e Laio morria em um acidente. Mas o destino ainda reservava mais uma armadilha. Jocasta se envolvia com Édipo sem saber que ele era seu filho. Mesmo exibida no horário das 8, a trama foi considerada forte demais pelo público. Por isso, talvez, nunca tenha ocupado a faixa vespertina.

 

De Corpo e Alma (1992)

CORPO E ALMA

Depois do sucesso de Barriga de Aluguel (1991), um drama exibido às 6 da tarde, Glória Perez foi convocada para escrever para o horário das 8. Em sua estreia, resolveu abordar temas polêmicos como transplante de órgãos e a prostituição masculina com o clube das mulheres. Apesar do sucesso, a história foi marcada por uma tragédia. No dia 28 de dezembro de 1992, Daniela Perez, filha da autora, foi brutalmente assassinada pelo colega de elenco Guilherme de Pádua. Os dois faziam par romântico na trama como Bira e Yasmin. Mesmo com a novela ainda no meio, a autora decidiu continuar a escrevê-la até o fim. A solução dada para a personagem foi uma viagem para o exterior. Já Bira sumiu sem maiores explicações. Por causa desse bastidor trágico, é pouco provável que seja reprisada.

 

Explode Coração (1995)

 

EXPLODE

Quem não se lembra do Cigano Igor? Escrita por Glória Perez, a novela misturava o mundo corporativo com ciganos, além de mostrar os primórdios da internet, com aquele “sonzinho” do telefone sendo discado. A mistura deu certo e a trama alcançou uma enorme audiência. Dara (Tereza Seiblitz) era de família cigana e tinha sido criada para se casar e ser dona de casa. Mas isso não estava em seus planos: a protagonista insistia em fazer faculdade e em construir uma carreira, para desespero dos pais. Inteligente, ela também era super antenada em novas tecnologias e se virava super bem com seu computador, uma ousadia para época! E era em um bate-papo que ela conhecia Julio Falcão (Edson Celulari), rico empresário que se apaixonava por ela. Detalhe para os desktops, com telas imensas, e para o chat, que contava com pouquíssimas pessoas naquela época. Rever Explode Coração seria uma deliciosa viagem no tempo.

Salsa e Merengue (1996)

SALSA

Estreia de Miguel Falabella como autor de novelas, a trama trouxe uma injeção de ânimo ao horário das 7. No cardápio, um melodrama sem vergonha de ser melodrama. Eugênio (Marcello Antony) se apaixonava pela doce e simples Madalena (Patrícia França), mesmo tendo a possessiva Theodora (Debora Bloch) por perto. Tudo parecia correr bem até que o mocinho descobria sofrer de uma grave doença. Só um transplante de medula de alguém da família poderia salvar sua vida. Sem saída, o pai de Eugênio, o rico Guilherme Amarante Paes (Walmor Chagas) tinha que revelar que Eugênio não era seu filho, um segredo que abalava a poderosa família Amarante Paes. Um dramalhão que ganhava cores e vida no texto inspirado de Falabella e de Maria Carmen Barbosa, sua parceira de trabalho, e que era embalado pela irresistível “Maria”, interpretada por Ricky Martin.

 

Uga, Uga (2000)

UGA

Uma das novelas mais pedidas na CAT (Central de Atendimento ao Telespectador), Uga, Uga companhava a história de Adriano (Cláudio Heinrich), personagem que, aos 3 anos de idade, tinha sido adotado por um pajé, depois de seus pais serem dizimados por índios. Ele ganhava uma identidade indígena: Tatuapú. 20 anos depois, seu avô, o velho e mal humorado Nikos Karabastos (Lima Duarte), tentava em vão encontrá-lo para que Adriano assumisse seu lugar como único herdeiro da família. O encontro entre avô e neto acontecia, mas a confusão estava longe de acabar.

 

Estrela-Guia (2001)

ESTRELA

Sandy vivia Cristal, menina que ficava órfã, mas reencontrava seu padrinho, Tony (Guilherme Fontes), que se tornava seu tutor. Tony era um homem estressado pela vida urbana e quase 20 anos mais velho que Cristal. Namorava a socialite Vanessa (Carolina Ferraz), sua principal cliente na corretora, mas levava o namoro sem muito entusiasmo. Rica, bonita e fútil, Vanessa era viúva e mãe de Gisela (Thaís Fersoza), uma adolescente rebelde que vivia em conflito com a mãe. Mimada e inescrupulosa, Vanessa não hesitava em usar o poder do dinheiro para prender o namorado. Obviamente, a candura de Cristal encantava Tony e os dois acabavam se apaixonando.

 

Celebridade (2003)

CELEBRIDADE

Gilberto Braga reunia elementos de suas novelas anteriores e criava uma trama irresistível, lembrada até hoje pelos fãs com carinho. Maria Clara Diniz (Malu Mader) era uma produtora musical muito bem-sucedida. Ela precisava driblar as armadilhas montadas por Laura (Claudia Abreu), mulher que morria de inveja de Maria Clara, sem motivo aparente. Com o tempo, o público descobria a inveja, na verdade, era mágoa. Laura escondia um triste segredo do passado. A história contava também com personagens inesquecíveis como o vilão Renato Mendes, vivido por Fábio Assunção. Ele era editor da fictícia revista Fama, que mobilizava boa parte da ação.

América (2005)

AMERICA

A trama de Glória Perez acompanhava a epopeia de Sol (Deborah Secco) para chegar a Miami como imigrante ilegal. A trama teve tropeços iniciais, rapidamente ajustados pela habilidosa autora, e se tornou um sucesso ao som de Ivete Sangalo na abertura. No meio da história, a protagonista se envolvia com Tião, um peão simples e batalhador vivido por Murilo Benício.

 

A Favorita (2008)

A FAVORITA

Estreia de João Emanuel Carneiro no horário das 9, a novela inovou ao confundir o público sobre que protagonista estava com razão sobre um crime cometido anos atrás.  Quem era a assassina, Flora (Patrícia Pilar) ou Donatela (Claudia Raia)? Até o capítulo 60, o público acreditou em Flora. A partir dali, descobriu que a doce e sofrida personagem era o demônio em pessoa e que a arrogante Donatela era inocente. Um truque que quase custou caro ao autor. Irritado, o público demorou para digerir a virada e se sentiu enganado. Mas, em pouco tempo, a trama voltou a empolgar e é hoje lembrada como uma das mais criativas exibidas pela TV até hoje.

 

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