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Marcelo Adnet, em cartaz com a comédia Os Penetras, deseja explorar diferentes caminhos artísticos para além do humor. Em entrevista ao Virgula Diversão, ele contou que gostaria de atuar em um filme de terror brasileiro.

“Eu tenho vontade de fazer coisas diferentes”, disse o artista, ao ser questionado sobre a possibilidade de fazer papéis não-cômicos no cinema. “[Gostaria de fazer] terror, um desses que tem aos milhões nos Estados Unidos. Eu acho que o Brasil merecia ter mais filmes do gênero”, disse.

O comediante nega os rumores recentes de que uma negociação de contrato com a Globo já estaria quase fechada. Ele diz que ainda não decidiu o que vai fazer após o término de seu contrato com a MTV, em dezembro. “Daqui a duas ou três semanas, é o momento de tomar essa decisão mais uma vez”, afirmou, acrescentando que a possibilidade de ir para a emissora “existe, como sempre existiu”.

Leia, a seguir, o bate-papo com Marcelo Adnet, em que ele fala sobre sua carreira e sobre Os Penetras, em que contracena com o integrante do Pânico na Band Eduardo Sterblitch. No longa, Adnet e Sterblitch interpretam, respectivamente, o golpista Marco Polo e o romântico Beto, que entram em uma festa de revéillon sem convite.


A afinação entre você e o Sterblitch em Os Penetras foi bastante elogiada. Como foi trabalhar com ele?

O Sterblitch é um cara que eu sempre admirei muito, sempre ri muito com seu trabalho. Ele tem um humor só dele. Quando surgiu o nome do Edu para que ele fizesse a dupla comigo, eu fiquei muito animado. Sempre tive vontade de trabalhar com ele, mas nunca tive a oportunidade. Como o humor dele é muito diferente do meu, foi surpreendente. Eu sou um cara mais verbal, e ele é mais corporal. Com um cara diferente de você, a gente é obrigado a mudar a maneira de pensar e de atuar. Nossos personagens crescem um com o outro.

Você começou a fazer filmes em 2007 e, desde então, já participou de 12. Dá para dizer que você já é tão ator quanto humorista?
Eu sou mais humorista que ator. O ator precisa de muito conhecimento e vivência. O ator tem de ter papéis diferentes, de regiões dramáticas diferentes. Eu não tenho essa experiência toda. Como comediante, eu acho que já fiz coisas dificílimas, como apresentar o Seedorf em um estádio para 20 mil pessoas ou apresentar um réveillon em Ipanema para 1 milhão de pessoas.

Você toparia fazer um papel não-cômico no cinema?
Toparia. Eu acho que, inclusive, meu papel em Os Penetras explora outras coisas além do humor. O principal objetivo do filme não é fazer graça, mas contar a história. Eu tenho vontade de fazer coisas diferentes, e acho que Os Penetras já foi um pequeno passo nessa direção.

Que tipo de filme você gostaria de fazer?
Terror. Um desses filmes de terror que existem aos milhões nos Estados Unidos. O enredo poderia ser uma história qualquer, como uma maldição que ataca uma galera numa casa de veraneio. Eu acho que o Brasil merecia ter mais filmes do gênero. Tem o Zé do Caixão, mas ele é mais um “terrir”, mais uma coisa caricata. Ainda não temos um filme de terror do tipo clássico.

Qual seria o seu papel nesse filme?
Eu seria o cara que morre no meio (risos). Eu teria tempo de atuar um pouquinho e, no meio, o assassino me mata. Estaria bom assim.

Qual é o seu grande objetivo de carreira, hoje?
Meu grande objetivo de carreira, hoje, é falar para um número maior de pessoas. E tocá-las. Quero que as coisas que eu faço, mesmo que não sejam comédia, inspirem as pessoas de alguma forma, façam com que elas leiam um livro, pesquisem sobre um assunto. Quero incitar alguma coisa além do riso.

Hoje, você toparia uma proposta da Globo?
Sim. Na verdade, eu sempre pensei nisso, nesses cinco anos em que estive na MTV. Eu sempre tenho propostas e, no meio de dezembro, decido o que será melhor. Daqui a duas ou três semanas, é o momento de tomar essa decisão mais uma vez. Mas ainda não há uma decisão tomada.

Há, então, a possibilidade de você ir para a Globo…
Existe a possibilidade, como sempre existiu. No ano passado, foi difícil decidir, mas a criação do programa Adnet Viaja foi uma coisa que me fez ter certeza de que eu queria ficar na MTV. Era a coisa certa. A cada ano, eu tive uma certeza diferente. Eu nunca assinei contrato de dois anos com a MTV, sempre foi de um ano. Em dezembro, é sempre assim.

Você já citou a liberdade artística da MTV como um dos motivos que te fazem permanecer lá. Você não tem medo de perder essa liberdade em uma eventual ida a uma grande emissora?
Todo mundo tem medo de mudar. As pessoas têm medo de mudar de apartamento, de cidade, de empresa, de mulher… Tudo isso dá muita insegurança, porque o que vem é novo. Por outro lado, isso é bom. Depois do medo vem uma nova realidade. Tudo na vida é assim, não é só comigo.

Foi conversada alguma coisa na MTV sobre seus possíveis programas de 2013? Há um papo de que o Comédia MTV Ao Vivo poderia acabar…
A gente sempre conversa sobre as coisas que são possíveis de fazer no próximo ano. A princípio, temos vontade de fazer o Comédia MTV e mais uma temporada de Adnet Viaja, com novos destinos.

Nesta semana, uma reportagem do Vídeo Show sobre a pré-estreia de Os Penetras foi motivo de piada, pelo fato de exibir o depoimento da Mariana Ximenes e ignorar você e o Sterblitch. Você viu a reportagem? Achou estranho?
Eu ouvi falar. E é claro que isso é estranho. Essa coisa de pessoas de diferentes emissoras não poderem estar juntas em situações televisivas é muito chata, às vezes. Os talentos não pertencem a uma emissora, pertencem ao País. Por isso, foi muito bacana fazer Os Penetras com o Edu, que é da Band, e com a Ximenes, que é da Globo. A gente nunca conseguiria estar juntos na TV. É muito bom quando quebramos essas barreiras, pois é sempre um intercâmbio rico. Mas eu entendo a posição da emissora. A Globo teria de pedir autorização para os dois outros canais, e as duas emissoras teriam de dar essa autorização. Rola todo um procedimento burocrático que impede que esses encontros aconteçam.

O que você sente falta nos programas de humor da TV aberta, atualmente?
Falta mais pluralidade e ousadia. É uma coisa que a gente vê na internet e até nos canais menores, mas não muito nas grandes emissoras. Você tem dois grandes programas na TV aberta que têm alguma coisa de alternativo mas, de resto, a gente nem cita. Falta um quadro mais plural, um programa que represente melhor a nova geração, a nova maneira de fazer humor.

O que diferencia a nova forma de fazer humor da velha forma de fazer humor?
Eu acho que é tanto o formato quanto o conteúdo. Hoje, podemos fazer piada sobre mil coisas que não existiam há algum tempo. Temos a internet, que mudou tudo. O humor tornou-se mais democrático. Você pode fazer um videozinho em casa e estourar, como foi o caso tanto do PC Siqueira quanto do Felipe Neto. O novo humor é menos arquétipo, menos estereótipo, menos personagem, menos torta na cara… É mais cerebral. Acho importante que essas mudanças estejam representadas na televisão.

Veja o trailer de Os Penetras:
Trailer de Os Penetras

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