Estreia hoje A Regra do Jogo, a nova novela das 21h da Globo. Isso todo mundo já sabe. E o que todo mundo também sabe é que a novela anterior do horário, Babilônia (ou #Bizarrônia #Bibalônia), foi um fracasso federal – entrou para a história como a pior audiência da Globo na faixa nobre.

Diante disso, a missão (impossível? Chame Ethan Hunt/Tom Cruise) do autor João Emanuel Carneiro é conseguir, com A Regra do Jogo, virar essa mesa e recuperar a audiência perdida para os rivais SBT (#SDeprê, que vem arrasando com Carrossel, Chiquititas, Cúmplices de um Resgate e toda uma linha de novelas infantis musicais) e Record (com a bíblica, em todos os sentidos, Os Dez Mandamentos).

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Credenciais para João (nome de apóstolo!) Emanuel (nome de anjo!) Carneiro (animal bíblico!) não faltam. Ele é o homem por trás dos sucessos A Favorita e Avenida Brasil, obras que modernizaram a faixa das 21h na Globo, combalida pelos autores paleolíticos que habitam o horário (todos com mais de 60 anos de idade e mais de 30 de carreira). João Emanuel é mais jovem e representa a nova geração – tem 45 anos. Veio do cinema (é autor do roteiro de Central do Brasil) e levou para a telinha uma forma meio cinematográfica de narrar suas tramas.

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Mas afinal, quais são os riscos enfrentados pelo intrépido novelista nesta jornada que começa hoje? Acompanhe esse jogo mortal na luta pelo trono da audiência:

O que ele tem que fazer:

1 – Apresentar uma trama central sólida que interesse ao público – Babilônia não tinha isso, já que ninguém se interessou pela história de Regina (Camila Pitanga), a protagonista da novela

2 – Apresentar um protagonista cativante e carismático que conquiste o público – Babilônia não tinha isso: de novo, Regina não cativou o público. Os protagonistas de João Emanuel costumam conquistar: veja Flora (Patrícia Pillar) de A Favorita e Nina (Débora Falabella) de Avenida Brasil

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3 – Ter vilões que funcionem – Babilônia tinha duas super vilãs, Beatriz (Glória Pires) e Inês (Adriana Esteves), mas ambas foram rejeitadas pelo público, então foram descaracterizadas e por fim rejeitadas de novo. Os vilões de Emanuel sempre “pegam”: de novo Flora de A Favorita, e em Avenida Brasil Carminha (Esteves)

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4 – Equilibrar mocinhos X vilões – Toda novela se baseia na luta do bem contra o mal. Essa é “A Regra do Jogo” básica. Para funcionar, precisa haver um equilíbrio. Babilônia desagradou de saída porque só os vilões se davam bem. O mal vencia cruelmente, implacavelmente, e o público não aguenta tanta vilania – já basta a vida real. Então João Emanuel precisa dosar os dois lados. Os mocinhos precisam vencer também, e não apenas no último capítulo

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5 – Apresentar capítulos ágeis e dinâmicos – Isso o autor faz muito bem, como vimos em A Favorita e Avenida Brasil. Diversas tramas e subtramas surgiam e se resolviam no mesmo capítulo. Babilônia era o contrário: as tramas se armavam e ficavam em banho maria, só foram (mal) resolvidas no último capítulo

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O que ele não pode fazer:

1 – Desafiar a tradicional família brasileira – Babilônia ousou ao mostrar um beijo lésbico entre duas octogenárias logo no primeiro capítulo. E além disso Beatriz era mostrada como uma ninfomaníaca insensível. O público careta da TV aberta rejeitou. Portanto, A Regra do Jogo deve ser cautelosa ao mostrar certos temas. Seria ótimo se desafiasse, mas aí perderia audiência

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2 – Ser bairrista – Babilônia era terrivelmente carioca (no mau sentido do termo). Tudo era muito “local”, muito centrado no Rio de Janeiro, seus bairros, seus morros, suas favelas. O público atual quer uma representação nacional, onde todos se identifiquem. Para isso, João Emanuel Carneiro já está acertando: ao criar o fictício Morro da Macaca, comunidade inventada que poderia estar em qualquer lugar do país – como a fictícia cidade Asa Branca do megasucesso Roque Santeiro (1985), daí a identificação geral

TÔ CERTO OU TÔ ERRADO???

TÔ CERTO OU TÔ ERRADO???

3 – Tratar o público como se este fosse burro – Babilônia tratava seus mocinhos (e por consequência o público) como idiotas. Os heróis da novela tomavam golpes dos vilões e continuavam acreditando neles, “dando a outra cara pra bater”. Demorou até os mocinhos começarem a reagir, e aí já era tarde demais. O público não aceitou – ninguém pode ser tão panaca. Ao mesmo tempo, com suas tramas frágeis e mal estruturadas, a novela contava com um público pouco atento. Isso não existe mais: hoje em dia, todo mundo saca todos os furos – tanto que até Avenida Brasil, de João Emanuel, foi criticada no trecho em que Nina perdeu as fotos de Carminha porque não tinha copiado num pen drive. Enfim, não se pode imaginar que o público vai dormir no ponto. Ninguém dorme!!!

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Boa sorte, João Emanuel Carneiro!!!

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