Fechar X

A atuação de Tom Cruise como o excêntrico astro da música Stacee Jaxx vale o ingresso para conferir no cinema Rock of Ages: O Filme, longa dirigido por Adam Shankman e baseado na peça musical Rock of Ages. A performance do ator veterano – que canta, dança e exala sexualidade na pele de um rock star –, no entanto, contrasta com as atuações mornas dos jovens protagonistas, Julianne Hough e Diego Boneta, que faz sua estreia no cinema.

O filme, com estreia brasileira marcada para 17 de agosto, acompanha a história de Sherrie (Julianne Hough), uma garota interiorana que vai a Los Angeles, na década de 80, em busca do sonho de tornar-se cantora. Ao chegar à cidade de seus sonhos, ela conhece Drew (Diego Boneta), um rapaz que também corre atrás de uma oportunidade como músico. Stacee Jaxx, vocalista da banda Arsenal, é o grande ídolo dos dois.

Para compor seu personagem, Tom Cruise leu biografias de ícones da música e passou por treinamento vocal intensivo. Deu certo. No palco, o ator mostra potência no gogó e um timbre surpreendentemente adequado para canções de rock. Diante do microfone, é uma massa de músculos autoconfiante e performática, no melhor estilo “Iggy Pop”. Fora do palco, por sua vez, Cruise dá ao personagem um ar blasé, apático, de quem perdeu a capacidade de surpreender-se após tanto sexo e tantas drogas.

Os diálogos de Alec Baldwin e Russell Brand, que interpretam Dennis e Lonny, administradores da lendária casa de shows Bourbon, são um eficiente alívio cômico do filme e também merecem destaque.

No entanto, a escolha de Julianne Hough, que é cantora de música country, e do novato Diego Boneta como protagonistas é questionável. Eles são bonzinhos demais para o rock. Eles cantam de forma inofensiva demais para o rock. Eles, provavelmente, pareceriam menos deslocados em um musical da Disney.

Além disso, o roteiro de Rock of Ages apresenta um número excessivo de conflitos que, para serem solucionados em duas horas de filme, requerem conclusões simplistas e óbvias. É claro que se trata de um musical sem pretensões, e não se esperam grandes reviravoltas existenciais, mas o número de histórias paralelas poderia ser reduzido para focar no que realmente importa para contar a história. O roteiro, a propósito, consegue ficar bastante piegas em certos momentos.

Por fim, tem a trilha sonora; coisa fina que reúne pérolas do “rock farofa” dos anos 70 e 80. Algumas canções-destaque, utilizadas com habilidade para contar a história dos personagens, são Wanted Dead or Alive (Bon Jovi) na voz de Tom Cruise; Hit Me With Your Best Shot (Pat Benatar) interpretada por Catherine Zeta Jones e Midnight Train (Journey), que é cantada por Diego Boneta.

No final das contas, o filme musical Rock of Ages, com suas qualidades e defeitos, consegue passar sua mensagem: o rock, bom e velho camarada incorrigível, continua por aí para unir pessoas, mudar vidas e contar histórias (sejam elas interessantes ou não).

Fechar X
Sem mais artigos