CAROLISABELLA

Em A Lei do Amor, a personagem Letícia, vivida por Isabella Santoni, vai voltar a ter leucemia. Para se salvar, a única saída pode ser a filha que Heloísa (Cláudia Abreu), sua mãe, espera. As células do bebê, seu irmão de pai e mãe, poderão curar a personagem. Trata-se de uma solução exatamente igual à encontrada pelo autor Manoel Carlos em 2000, quando escreveu Laços de Família. A história, por sua vez, também não era original: o autor  havia se inspirado em uma notícia de jornal para escrever sua novela.

Assuntos como amores proibidos, paixões não correspondidas, casamentos e separações são extremamente comuns em novelas, portanto, podem soar repetitivos, apesar de serem temas inerentes ao formato, tão consagrado nos últimos 50 anos. Em alguns casos, no entanto, os autores exageram na dose e criam situações exatamente iguais a tramas anteriores. Damos alguns exemplos.

 

Gêmea boa, gêmea má

GEMEAS

Quando escreveu Mulheres de Areia para a extinta TV Tupi, em 1973, Ivani Ribeiro (1922-1995) inovou ao apresentar uma sinopse que trazia gêmeas como protagonistas. Ruth, a doce e bondosa irmã, e Raquel, a peste em forma de mulher, movimentavam a história que foi um dos melhores trabalhos da autora. O sucesso se repetiu em 1993, quando a Globo produziu um remake da trama. Depois disso, expediente foi utilizado à exaustão. Em 1995, Antonio Calmon criou as irmãs antagonistas Vivi e Fernanda, vividas por Christiane Torloni em Cara & Coroa. 12 anos depois, foi a vez de Gilberto Braga usar a ideia em Paraíso Tropical, com Taís e Paula, vividas por Alessandra Negrini, uma boa e a outra da pá virada. Atualmente, Maria Helena Nascimento mostra ao público as maldades de Lorena, sempre prejudicando a doce Julia, ambas vividas por Nathália Dill em Rock Story. Manoel Carlos também usou a ideia em suas novelas, mas sem recorrer ao antagonismo acirrado. Em Baila Comigo (1981), Tony Ramos vivia João Victor e Quinzinho. Em Viver a Vida (2009), Mateus Solano interpretava os gêmeos Jorge e Miguel, diferentes em suas personalidades, mas longe de ser inimigos mortais.

Várias vezes no altar

NOIVAS

Em A Gata Comeu (1985), Paula (Fátima Freire) tentou se casar por quatro vezes om Fábio (Nuno Leal Maia), mas foi impedida por Jô, que era apaixonada pelo professor. 24 anos depois, em 2009, Walcyr Carrasco usou a mesma ideia em Caras & Bocas. Na trama, Dafne (Flávia Alessandra) tentava se casar várias vezes para receber uma grande herança, mas não havia Santo Antônio que desse jeito: ela era invariavelmente abandonada no altar.

A louca da bebida

ALCOLISMO

Em 1988, Renata Sorrah conquistou o país com Heleninha Roitman, socialite que sofria com sua dependência por álcool na novela Vale Tudo. Seus vexames fizeram história, transformando a personagem em memes inesquecíveis anos mais tarde. Mas ela não estava sozinha. Em 1997, Manoel Carlos voltou ao tema com Orestes, pai alcoólatra de Eduarda (Gabriela Duarte) em Por Amor. O vexame também era garantido. Orestes chegou a entrar bêbado na igreja, durante o casamento da filha. Manoel Carlos ainda exploraria o assunto em 2003, na novela Mulheres Apaixonadas, com Santana (Vera Holtz). Professora em uma escola, ela chegava completamente alcoolizada para dar aula, o que valeu seu emprego.

A vingança vem do mar

AFOGADAS

Em A Lei do Amor, os autores Vincent Vilari e Maria Adelaide Amaral usaram mais uma ideia antiga: jogar uma personagem no mar. Isabela (Alice Vegmann) saiu para um passeio ao lado do amado, Thiago (Humberto Carrão), mas acabou vítima de uma armação mortal e foi jogada ao mar, inconsciente. Meses depois, ela voltou à cena como Marina, aparentemente disposta a se vingar de todos que tentaram fazer mal para ela. A ideia foi usada por Ivani Ribeiro (1922-1995) em Mulheres de Areia, em 1973, e, em 1993, no remake da história, quando Ruth e Rachel (Gloria Pires) iam fazer um passeio no mar. A canoa em que as duas estavam virava, Rachel se afogava e Ruth assumia o seu lugar. Isso porque a bondosa gêmea queria, finalmente, viver ser amor por Marcos (Guilherme Fontes), namorado que Raquel havia roubado meses antes. O final feliz, no entanto, estava longe de chegar. Raquel não estava morta e decidia voltar para se vingar da irmã, história que centralizou a ação na segunda metade da novela. Para entender a origem de tudo: para escrever Mulheres de Areia, em 1973, Ivani tinha usado como base uma antiga radionovela sua, As Noivas Morrem no Mar, de 1965. A radionovela, por sua vez,  tinha sido inspirada no filme Uma Vida Roubada, de 1946.

Mudo na cama

LIMA TARCISIO

Fausto Leitão sofreu um acidente e passou meses em uma cama, sem falar. Isso impediu que ele revelasse que Magnólia (Vera Holtz) tinha um caso com Ciro (Thiago Lacerda), genro dos dois e marido da da filha do casal, Vitória (Camila Morgado). Um escândalo familiar. Em 1990, em Meu Bem, Meu Mal, Cassiano Gabus Mendes (1929-1993) já tinha feito exatamente o mesmo com o personagem Dom Lázaro Venturini (Lima Duarte): havia deixado o patriarca mudo e sem movimentos depois de sofrer um AVC. A tragédia foi providencial. O personagem havia descoberto o caso de Isadora (Silvia Pfeifer) e Ricardo (José Mayer), um escândalo que movimentaria toda a trama para o seu ápice, por volta do capítulo 100, quando ainda havia muita água para rolar. Uma ótima solução para segurar o suspense por mais alguns meses e, assim como em A Lei do Amor, evitar uma tragédia na família já que Isadora era nora de Dom Lázaro e Ricardo o maior inimigo do velho empresário. Mas essa ideia nem pode ser considerada plágio. Autora de A Lei do Amor, Maria Adelaide Amaral era o braço direito de Cassiano em Meu Bem, Meu Mal e conduziu boa parte dos episódios sozinha.

Criança atropelada

ATROPELADAS

Manoel Carlos parece ter obsessão por algumas situações. Em 1997, fez com que a doce Sandrinha (Cecilia Dassi) fosse atropelada perto do salão de sua mãe, a cabeleireira Lídia (Regina Braga), em Niterói, no Rio. Três anos mais tarde, a mesma situação se repetia. Dessa vez, a vítima era a menina Raquel (Carla Diaz), que entrava na frente de um veículo nas ruas do Leblon, bem perto da clínica onde sua mãe, Ivete (Soraia Ravenle), trabalhava.

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