Marília Gabriela apresentava o 'TV Mulher'

Memória Globo/Divulgação Marília Gabriela apresentava o ‘TV Mulher’

Um dos programas de maior sucesso da Globo nos anos 80, o TV Mulher ganhará uma releitura neste mês. Em 10 episódios, a atração será reexibida pelo canal Viva com um ar nostálgico e trazendo Marília Gabriela, âncora original, de volta ao comando.

Para quem não se lembra ou é muito novo, TV Mulher foi um dos programas mais polêmicos da década de 80. No ar entre 1980 e 1986, a atração era exibida de segunda a sexta-feira na parte da manhã. Apesar de pegar o fim da ditadura militar, que, enfraquecida, promovia uma censura muito menos agressiva que nos anos 70, o TV Mulher foi alvo de protestos e polêmicas especialmente por ter a hoje senadora Marta Suplicy (PMDB) falando de sexo abertamente e ao vivo.

Marta Suplicy falava de sexo no 'TV Mulher'

Memória Globo/Divulgação Marta Suplicy falava de sexo no ‘TV Mulher’

Marta, que é sexóloga, era uma das grandes personagens do programa e não tinha o menor pudor em falar sobre vagina, pênis e posições sexuais no ar, o que acabou motivando ações como a da Senhoras de Santana, uma conhecida associação conservadora que exigia que o quadro da então apresentadora fosse censurado.

Opiniões sobre diversidade sexual polemizavam
Quem também polemizava bastante era Clodovil Hernandes. Homossexual assumido em uma época onde a diversidade ainda era tratada de maneira bastante restrita, o falecido apresentador abordava questões de gênero sempre que podia. Seu temperamento explosivo, porém, fez com que ele deixasse o programa ao vivo após um desentendimento com Gabi, em um momento histórico da TV brasileira.

Clodovil polemizava com assuntos quentes no programa

Memória Globo/Divulgação Clodovil polemizava com assuntos quentes no programa

O time clássico do TV Mulher contava com Marília Gabriela, Marta, Clodovil, Ney Gonçalves Dias, Ala Szerman, Xênia Bier e Zora Yonara, que participava ocasionalmente. Porém, nomes como César Filho, Irene Ravache, Amália Rocha, Esther Góes e Marilu Torres também comandaram o programa em algum momento de sua breve vida.

Elis como madrinha e música marcante de Rita Lee
A grande madrinha do TV Mulher era ninguém menos que Elis Regina. Maior ícone feminino da música brasileira na época, a cantora batia ponto nos estúdios da atração e sempre defendeu seu conteúdo nas entrevistas que dava. Elis chegou a levar a filha e hoje cantora Maria Rita em uma das participações que fez.

A trilha sonora ficava por conta de Rita Lee. Cor de Rosa Choque, hit da época, exaltava qualidades e defeitos da mulher, destacando questões feministas hoje amplamente discutidas nas ruas. Na nova versão do programa, a canção segue como trilha de abertura, mas, desta vez, com uma releitura de Tulipa Ruiz e Arnaldo Antunes.

Elis Regina deu entrevistas marcantes ao 'TV Mulher'

Elis Regina deu entrevistas marcantes ao ‘TV Mulher’

Pioneirismo era destaque principal
Como já dito, o TV Mulher era uma atração matinal exibida durante a ditadura. Todos os temas discutidos giravam em torno do universo feminino e direitos da mulher. Questões como salários desiguais, assédio e violência doméstica faziam parte da pauta diária do programa.

Hoje, 30 anos após seu fim, o TV Mulher parece não precisar de mudança alguma para se manter atual, uma vez que boa parte dos problemas debatidos no passado seguem necessários e com urgência para resolução. Assim como a nova Escolinha, a releitura do Viva tem tudo para dar um gostinho de “quero mais” em quem assistir.

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