Quarto no albergue reservado, passagens compradas, roteiro turístico definido. E a companhia de aventura? Vai ficar para uma próxima, obrigada. Viajar por conta própria tem suas graças e vantagens, apesar daquele frio na barriga que bate antes de embarcar na missão solo. Com alguns cuidados, a viagem tem tudo para rolar numa boa, sem neuras.

"Quando fui para o Egito, uma viagem que deveria durar 8h acabou se prolongando para 24h. Vi muitos tanques de guerra nas ruas, mas não tive nenhum problema mais sério", lembra ela

Arquivo Pessoal “Quando fui para o Egito, uma viagem que deveria durar 8h acabou se prolongando para 24h. Vi muitos tanques de guerra nas ruas, mas não tive nenhum problema mais sério”, lembra ela

A publicitária Mariana Bandicioli sabe bem disso. Tudo começou quando ela resolveu morar na Austrália, em 2007. Até então, Mariana nunca tinha feito uma viagem desse tipo, totalmente sozinha. “A Austrália me mudou bastante. Fui me descobrindo e também pude perceber como é bom fazer as coisas sozinha. Você não fica dependente de ninguém. Se eu tinha uma vontade, eu ia lá e fazia, por mim mesma”, lembra ela.

Depois da Austrália, Mariana nunca mais parou. Tailândia, Nova Zelândia, Egito, Índia, Japão, Escócia e outros destinos exóticos foram apenas alguns pontos do mapa-múndi que a publicitária fez questão de “riscar” da lista, pelo menos por enquanto. Todas essas vezes, Mariana viajou sozinha, por uma questão de escolha.

Ela acredita que ficou um pouco mais egoísta após tantas experiências em países diferentes. Quando viajamos com alguém, é fundamental equilibrar as vontades, ceder em algumas oportunidades e respirar fundo, bem fundo, quando bate aquele estresse por conta da convivência mais intensa.

Para Mariana, viajar sozinha é garantia de sossego, já que não se vê obrigada a “aceitar” as vontades de ninguém.

E OS PERRENGUES?

Se viajar pelo Brasil já pode ser um pouco perigoso, o mesmo vale para destinos internacionais. Para a jornalista Giselle Nogueira, autora do blog Mulher que Viaja Sozinha, qualquer perrengue pode rolar, com ou sem uma companhia ao lado. O que importa é estar preparada para as adversidades e saber “para onde correr” numa emergência.

Ah, também vale confiar no seu sexto sentido. Ao notar alguma situação mais esquisita, a dica é procurar um grupo de pessoas e evitar qualquer exposição. Tomar cuidado na hora de dar informações para estranhos, como o local da hospedagem, é obrigatório.

“O pior que pode acontecer para um viajante é perder documentos, dinheiro e cartões de crédito. E, sem ninguém a quem recorrer, é pior ainda. Por isso, é preciso ter um cuidado redobrado. No caso das grandes cidades, eu sempre procuro me informar sobre o endereço dos consulados do Brasil, e sobre a agência do meu banco”, aconselha ela.

“Não dê mole” é o principal alerta das viajantes experientes, em terras brasileiras ou mesmo na gringa. Mariana se lembra de ter ouvido histórias negativas a respeito da Jamaica, por exemplo, e ainda assim optou por viajar para o país, tomadas as devidas precauções e alerta dos riscos, depois de realizar inúmeras pesquisas.

“Foi uma experiência bacana. Tinha vezes que eu estava andando na praia e algumas pessoas se aproximavam para conversar, mas é só indicar uma negativa que elas se afastam. Eu também não me arrisco, o que é muito importante. Nunca saía 100% sozinha, muito menos à noite”, conta ela.

PRATICIDADE EM PRIMEIRO LUGAR

Para quem viaja para longe só e bem acompanhado, decisões práticas costumam ser aquelas que mais funcionam. Não adianta querer levar malas e mais malas de roupa ou complicar a estadia com passeios sem pé nem cabeça, que custam dinheiro e também paciência.

Levar uma mochila com poucas roupas e ficar de olho nas lavanderias ao redor da hospedagem é garantia de sucesso. E já que estamos questionando exageros, ficar naquele hotel “mil estrelas” é tão importante assim ou um albergue dá para o gasto?

Planejar todos esses detalhes por conta própria, desde passagens a passeios pela cidade, e colocar a simplicidade em primeiro lugar ajuda a economizar uma boa grana, viu? Mariana nunca passou por nenhum perrengue resolvendo esses detalhes por si só, e aproveitou muito mais do que se tivesse fechado com alguma agência de turismo mais tradicional.

Antes de fechar qualquer roteiro ou mesmo comprar as passagens de avião, vale fazer uma busca extensa sobre o destino escolhido. O país é seguro para mulheres? Existem relatos de outras viajantes com dicas sobre o que fazer e o que evitar? Dá para andar sozinha pelas ruas ou é mais tranquilo sair com grupos?

FOREVER ALONE: NEM SEMPRE

Esse é um sentimento que costuma boicotar inúmeras viagens. A ideia de não ter alguém para compartilhar os sentimentos (bons ou ruins) durante a viagem pode parecer apavorante no começo, mas é tudo questão de adaptação. No fim das contas, você acaba encontrando um monte de gente que também está ali no hotel ou no albergue por conta própria. É praticamente impossível ficar 100% do tempo – a não ser que você queira dar uma de náufrago em uma ilha deserta, é claro.

"Viajar, conhecer outros mundos, outras culturas e até outras paisagens é fundamental para qualquer pessoa", acredita Giselle. Essa foto foi tirada em Ushuaia, na Patagônia

Arquivo Pessoal “Viajar, conhecer outros mundos, outras culturas e até outras paisagens é fundamental para qualquer pessoa”, acredita Giselle. Essa foto foi tirada em Ushuaia, na Patagônia

Quem fica em albergue, por exemplo, tem grandes chances de trombar com outros viajantes solitários. Uma das características desses lugares, aliás, é promover passeios e festas para que a galera se conheça melhor. É uma boa chance de ter contato com culturas diferentes, o que não acontece quando temos uma companhia fixa e, portanto, ficamos mais “fechados” para os outros.

Ficar um tempo por conta própria, porém, é inevitável – e isso não precisa ser encarado como algo negativo, muito pelo contrário. Saber aproveitar a própria companhia é algo recompensador, garantem as viajantes.

“Quando estamos sozinhos, aprendemos a nos colocar à prova, tomar as rédeas e ficamos inteiramente responsáveis por nossas escolhas. Isso nos fortalece. Tenho certeza de que qualquer mulher que teve essa experiência volta melhor, mais confiante em suas possibilidades e limites”, acredita Giselle Nogueira.

Mariana concorda. “Você tem que arriscar, afinal de contas, isso é o que a gente leva da vida. Hoje me sinto muito mais segura, porque fui obrigada a me soltar e superar as dificuldades nas viagens”, lembra ela.

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