Ideia do governo japonês era impedir o nascimento de crianças vindas de famílias com histórico de doenças ou retardo mental

“Eles roubaram a minha vida”. Esse foi o sentimento de Junko Iizuka ao descobrir que o governo do Japão coordenou uma cirurgia para a deixar estéril, sem autorização, sem ela ao menos saber. Aos 16 anos, Junko foi levada a uma clínica e forçada a passar por um procedimento misterioso, em 1963. Depois de anos, ela descobriu que a operação era parte do projeto do governo japonês de impedir o nascimento de crianças “inferiores”.  

Segundo informações do The Guardian, mais de 16 mil mulheres passaram por esterilização forçada no país. No caso de Junko, as trompas uterinas foram bloqueadas, por ela ser suspeita de ter algum tipo de deficiência mental. A cirurgia a deixou com dores crônicas na região abdominal.

Yumi Sato passou pelo mesmo procedimento aos 15 anos, em 1972. “Quando ela completou 22 ou 23 anos, começou o assunto sobre casamento, mas depois que o noivo descobriu que Yumi não podia engravidar, cancelou o casamento”, contou a irmã de Yuko, Michiko Sato.

Com o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, políticos decidiram que era preciso melhorar a “qualidade na nação”. A prevenção do nascimento de crianças com deficiência ou retardo mental foi a medida adotada pelo governo japonês na época. Entre 1948 e 1996, 25 mil pessoas passaram por esterilização, 16,5 mil forçadas.

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