Com a recente ampliação da Ciclofaixa de Lazer em São Paulo, que agora liga a avenida Paulista até o Centro velho da cidade, mais gente passou a se aventurar de bicicleta pelas ruas da cidade. 

Desde 2009, a Ciclofaixa já recebeu mais de 1,2 milhão de pessoas pedalando aos domingos (quando o público chega a 100 mil ciclistas) e feriados, únicos dias de operação da via exclusiva, que funciona entre 7h e 16h.

Para o consultor em mobilidade urbana e autor do blog O Bicicreteiro, André Pasqualini, essa medida incitou milhares de pessoas que não pedalavam a experimentar a bicicleta.

“As ciclofaixas foram feitas em locais estratégicos. A pessoa que vai pedalar durante o final de semana acaba fazendo o trajeto parecido com aquele que faria para ir ao trabalho e percebe que não é tão difícil se locomover com ela. Além disso, depois de passar pela experiência de pedalar pelas ruas de São Paulo, muitos acabam migrando para a bicicleta como meio de transporte, e aqueles que não migram, passam a respeitar melhor os ciclistas”, afirma.

Uma iniciativa simpática para quem quer se aventurar no mundo das magrelas é o projeto Bike Sampa, implementado e operado pelas empresas Serttel e Samba, com apoio do Banco Itaú. Ao todo, são 300 estações e 3 mil bicicletas à disposição dos paulistanos em diferentes pontos da cidade. Basta retirar a bicicleta em uma das estações e devolvê-la em outra. Os primeiros 30 minutos de utilização são gratuitos e, após esse período, são cobrados R$ 5 a cada meia hora no ato da devulação.

Já o projeto Bicicletários, que também estimula a utilização da bicicleta, disponibiliza gratuitamente em estacionamentos da rede Estapar bicicletas para utilização dos segurados da Porto Seguro, além de estacionamento gratuito para bikes. Os ciclistas não-segurados também podem estacionar suas bicicletas nos estacionamentos, com a tarifa de R$ 2 por um período de 12 horas.

Em algumas estações de metrô da cidade existe o Use Bike, que funciona como estacionamento para as magrelas e onde também é possível pegar bikes emprestadas – para isso é preciso preencher um cadastro bem burocrático.

Dificuldades no dia-a-dia

O universo seguro da Ciclofaixa, onde funcionários uniformizados ajudam a organizar a travessia dos sinais de trânsito, muitas vezes até com um sorriso no rosto, é bem diferente da realidade daqueles que decidem deixar o carro para trás e optar pela magrela como meio de transporte em São Paulo de vez. 

A cidade que possui um dos trânsitos mais caóticos do mundo tem infraestrutura precária para quem opta pelas duas rodas, e a bicicleta, frágil e de pequeno porte, fica em enorme desvantagem.

Para o blogueiro Pasqualini, é exatamente esse medo que ainda impede a população de utilizar a bike. Não é para menos, já que um balanço anual feito pela CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) mostra que, em 2011, 49 pessoas perderam a vida em decorrência de acidentes de trânsito com bikes na cidade de São Paulo. O número é idêntico ao do ano anterior.

Ainda segundo Pasqualini, a questão da segurança para os ciclistas só seria resolvida com uma ação do governo. “A maioria da população ainda tem medo, por isso o governo tem que dar essa proteção, com um bom planejamento e um investimento efetivo em infraestrutura. De 2004 para cá, ocorreu um apelo maior da sociedade em relação a essa questão e por isso os políticos tiveram que olhar melhor e dar mais atenção para esse assunto”, disse. 

Já o autor do blog Vá de Bike, Willian Cruz, diz que, além de tudo, a bicicleta também precisa ser aceita no dia-a-dia por quem não é ciclista. “É importante ressaltar que a bicicleta tem o direito de circular junto aos carros, já que ela é um veículo como qualquer outro. É preciso existir o compartilhamento da via entre carros, motos e bicicletas, ou seja, respeito e convivência pacífica nas ruas”, afirma.

Onde estacionar a bicicleta?

Apesar das medidas a favor do uso da bicicleta, São Paulo ainda sofre com a falta de estacionamentos para ciclistas em muitos estabelecimentos.

A cidade possui duas leis que obrigam todos os locais “com grande afluxo de pessoas” a instalar um bicicletário, mas ambas ainda não foram regulamentadas. Dessa forma muitos estabelecimentos as ignoram já que não sofrerão nenhuma punição por seu não cumprimento.

Segundo Willian Cruz, uma das medidas que resolveria o problema seria a instalação de paraciclo (suporte físico onde a bicicleta é presa) como peças de mobiliário urbano (em calçadas ou fachadas). Para isso é preciso apenas respeitar a legislação urbana, ou seja, não atrapalhar a circulação de pedestres.

Entenda o beabá dos ciclistas: 

Ciclovia: Via destinada ao trânsito exclusivo de bicicletas, separada da via pública e das calçadas por obstáculo.
Ciclofaixa: Faixa da via pública separada por sinalização destinada ao trânsito exclusivo de bicicletas.
Faixa-compartilhada: Pista utilizada tanto por veículos motorizados quanto por bicicletas.
Bicicletário: Ponto de apoio ao ciclista com estacionamento de bicicletas.
Paraciclo: é o suporte físico onde a bicicleta é presa, podendo ser instalado como parte do mobiliário urbano, ou seja, em calçadas ou fachadas.

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