Algumas horas depois do anúncio de que a canadense Alice Munro era a vencedora do Prêmio Nobel de Literatura deste ano, a Academia Sueca, que o concede, se viu obrigada a publicar no Twitter que ainda não tinha conseguido falar com a ganhadora porque ela não atendia ao telefone.

“Estamos tentando falar com Alice Munro para nossa tradicional entrevista por telefone, mas só cai na secretária eletrônica”, diz o tweet.

Uma amiga de Munro, a também escritora canadense Margaret Atwood, postou no Twitter sobre a dificuldade da Academia em conseguir falar com a ganhadora do Nobel de Literatura. Ela disse que muitos de seus seguidores estavam lhe pedindo para que escrevesse algo para Alice. Na mensagem, Atwood enfatiza o pedido para que a amiga atenda ao telefone.

Editor de Alice por mais de três décadas, Douglas Gibson confessou que também não tinha conseguido falar com a escritora e só tinha recebido uma declaração na qual lhe expressava sua gratidão.

“Estou assustada e muito agradecida. Estou particularmente contente em conseguir este prêmio. Ele deixará os canadenses muito satisfeitos. Também estou contente que isto atraia mais atenção para a nossa literatura”, disse Munro.

Para muitos canadenses, o fato de Munro não estar grudada ao telefone aguardando a ligação da Academia pode ser explicado pela personalidade modesta de uma escritora que cresceu em uma pequena comunidade rural do Canadá e que ganhou reconhecimento nacional e internacional sem tentar “chamar a atenção”.

O primeiro-ministro canadense, Stephen Harper, felicitou Munro através de um comunicado e lembrou que ela é a primeira mulher canadense a receber o Prêmio Nobel de Literatura.

“Os canadenses estão muito orgulhosos por esta conquista. Isso representa o ápice de uma vida literária excepcional”, disse Harper.

Nascida em Wingham, uma pequena cidade do sudoeste da província de Ontário, Munro passou toda sua vida no campo, onde a família tinha fazenda, e na cidade de Victoria, para onde se mudou em 1963 e onde é dona da livraria “Munro’s Books”.

A escritora, que tem 82 anos, soube da notícia às 4h (horário local) através da filha, que ligou para sua casa, na cidade de Victoria.

Pouco depois disso, um jornalista da rede de televisão canadense “CBC” conseguiu ser uma das poucas pessoas a falar com a escritora.

“Maravilhoso”, disse Munro com evidente felicidade na voz após ser perguntada sobre o que pensava de ter recebido o prêmio. Entretanto, sua alegria se transformou em indignação quando foi informada de que ela era apenas a 13ª mulher a receber o prêmio literário.

“Isso é atroz”, disse, incrédula.

Seus livros retratam, com frequência, as dificuldades das mulheres no mundo atual. A própria autora reconhece que suas obras são bastante autobiográficas.

Agora, sua idade é o principal obstáculo para Munro. Hoje, ela confirmou que não pensa em escrever mais. O anúncio já tinha sido feito neste ano em uma entrevista ao jornal “National Post”. “Já estou bastante velha”, disse hoje, durante a entrevista à “CBC”. 

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