Quem esteve em Conservatória na noite fria do inverno de 1994
em que um dos maiores músicos da nossa história esteve lá, não esquece o que
viu: Dorival Caymmi e toda sua elegância passearam pelos paralelepípedos da
cidade histórica, conversou (pouco, mas conversou) com moradores e inaugurou
uma placa em sua homenagem. Caymmi, assim como outras dezenas de compositores e
cantores do cancioneiro nacional, participou do ritual mais importante de
Conservatória: a seresta. Todas as sextas e sábados, impreterivelmente às 23
horas, músicos saem pela cidade de violão em punho para cantar ao luar, nas
janelas das casas, nas praças, nas calçadas.

“Não existe nenhum lugar no mundo igual a Conservatória”,
diz, orgulhoso, João Ewerton, secretário de Turismo de Valença, cidade do Vale
do Café fluminense a qual o distrito pertence. “Tudo aqui respira música,
durante o ano todo. Os eventos são programados sempre com a temática musical”,
explica Ewerton, que prepara um festival de bandas jovens para o mês de agosto
e uma programação mensal de apresentações de representações artísticas como
jongo, capoeira e  maculelê. “Mas a
serenata é o carro-chefe”, diz.    

Há 163 anos Conservatória é considerada a ‘cidade’ da
seresta. Além de ter um museu e um festival dedicados ao gênero, a maioria das
casas possui uma placa afixada nas fachadas com o nome de uma música e seu
autor. Ao longo do percurso da seresta, a turma de violonistas para de casa em
casa para cantar e tocar a canção preferida daqueles moradores. A tradição
resiste desde meados do século 19. Da mesma época, também resiste a arquitetura
e, na entrada do distrito, um vagão maria fumaça da Rede Mineira de Viação,
além da Estação Ferroviária (inaugurada por Dom Pedro II em 1983 e atual
rodoviária), que transportava café e passageiros nos tempos áureos da economia
cafeeira, da qual Valença foi um dos principais expoentes.

Mas não são apenas os entusiastas de música os
principais turistas de Conservatória. O local é ímã da moçada esotérica e
mística. Na Serra da Beleza, onde estão o Pico do Cavalo e o Pico do Pires, com
cerca de 1300 metros de altitude, muitos garantem já ter observado luzes
misteriosas que piscam, circulam, ‘andam’ de um lado a outro pelo céu. “Estudiosos
do assunto dizem já ter visto OVNIs naqueles vales”, conta o secretário de
Turismo. Vales estes que servem, sobretudo, para quem é amante da natureza
caminhar por trilhas montanhosas, cavalgar, fazer rally, enduro, passeios
ecológicos passando por antigas fazendas de café, pescar e, por fim, se
refrescar nas cachoeiras.


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Conservatória atrai interessados em música, ETs e ecoturismo