Há exatos 107 anos, o inventor brasileiro Alberto Santos Dumont foi o primeiro a levantar voo num avião impulsionado por um motor a gasolina, no Campo de Bagatelle, em Paris. A data é festejada no país como o Dia do Aviador, e em 2013, são comemorados os 140 anos do nascimento daquele que ficou mundialmente conhecido como o “Pai da Aviação”. Aproveitando a coincidência da celebração dos dois marcos, vale lembrar que no ano passado o Museu Casa de Santos Dumont, em Petrópolis – cidade onde ele morou e elaborou algumas das suas invenções – abriu as portas de um novo espaço, o Centro Cultural 14 Bis.

Os herdeiros de Santos Dumont, seus sobrinhos, fizeram da casa do tio um museu, doado à Prefeitura de Petrópolis sob a condição de se tornar uma instituição que homenageasse e projetasse a memória do tio. Hoje é o segundo museu mais visitado da cidade e recebe cerca de 9 mil pessoas por mês. Está localizado na encosta do antigo morro do Encantado (hoje na Rua do Encanto, 22), o que lhe valeu o apelido carinhoso do próprio inventor: Encantada. Para a diretora da Fundação de Cultura e Turismo de Petrópolis, Evany Noel, ela é de fundamental importância para a cultura brasileira porque, além de preservar documentos, objetos, cartas, móveis, livros e outros pertences de Santos Dumont, “dissemina informações de um personagem histórico tão rico para a história do país”.

Ao lado da Encantada, o Centro Cultural 14 Bis destaca-se por ser o primeiro do Rio de Janeiro a usar tecnologias adequadas para a utilização por parte de deficientes físicos, auditivos e visuais. Isto porque a casa do inventor foi construída de acordo com as suas necessidades e traços de personalidade – e o resultado é, digamos, bastante complexo. A Encantada possui escadas íngremes que separam seus três andares; numa delas, as pessoas são obrigadas a subir com o pé direito (marca reveladora do seu perfil supersticioso). Características como esta limitavam o acesso a alguns visitantes. Para criar acessibilidade universal, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) remodelou e modernizou o espaço e abriu o Centro 14 Bis, que tem maquetes táteis da casa original, rampas, DVD em libras, catálogo em braile, plataformas eletrônicas e outras facilidades que permitem a pessoas com qualquer deficiência conhecer a casa e a história do Pai da Aviação.

A Encantada é um pequeno chalé em estilo alpino, construído em 1918 para ser residência de verão. O aviador gostava da altura, como é de se imaginar, e comprou o terreno inclinado no Centro Histórico de Petrópolis, cidade da Região Serrana, a mais de 800 metros de altitude. “Ele morou aqui durante muitos anos e dedicava enorme carinho à cidade”, conta Evany. Lá, desenhou e planejou a construção, com a ajuda do engenheiro Eduardo Pederneiras. Todas as “engenhocas” da casa revelam a personalidade excêntrica do seu habitante, que a pensou adequada ao seu pragmatismo cotidiano. Por isso, é pequena e tem apenas os espaços que lhe eram estritamente necessários. Entre as invenções, uma das mais curiosas está no banheiro: o chuveiro tem água quente aquecida a álcool, o que foi, possivelmente, o primeiro aquecedor de água a não utilizar fogão a lenha. “A criatividade e as peculiaridades de Santos Dumont são o que mais encantam as pessoas quando visitam a casa”, diz Evany.

O espaço está aberto para visitas de terça a domingo, entre as 9h30 e as 17h. O preço da entrada para adultos é apenas de R$5, com meia entrada para idosos brasileiros e entrada gratuita para crianças até aos 7 anos. Além deste custo acessível, petropolitanos podem entrar de graça todas as quartas-feiras e últimos domingos do mês.

Dia Nacional do Aviador e 140 anos do nascimento de Santos Dumont convidam para uma visita a “Encantada”

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