A comunidade gay e lésbica de Nova York lembrou neste domingo seu “Dia do Orgulho” com um desfile pela 5ª Avenida e aproveitaram para comemorar a recém aprovada lei que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo neste estado.

“Obrigado Governador Cuomo. Promessa mantida”, estava escrito em muitos cartazes de um dos desfiles mais movimentados para celebrar a comunidade gay, lésbica, transexual e bissexual de Nova York. O governador de Nova York, Andrew Cuomo, participou da marcha, que saiu da 5ª Avenida e seguiu até Greenwich Village. O democrata foi um dos grandes defensores da lei e foi ovacionado durante toda a parada.

“Nova York enviou uma mensagem à nação. Já é hora da igualdade no casamento”, disse Cuomo que foi acompanhado de sua namorada, Sandra Lee, e vários políticos locais, entre eles, a presidente do Conselho municipal da cidade, Christine Quinn, homossexual assumida.

Na sexta-feira, Nova York se tornou o sexto estado dos Estados Unidos a permitir a união entre pessoas do mesmo sexo, após uma longa batalha parlamentar e de um tenso debate entre republicanos e democratas no Senado, onde no final a proposta de Cuomo reuniu 33 votos a favor e 29 contra.

“Foi uma decisão maravilhosa. Estamos juntos há mais de 30 anos e agora vamos nos casar”, disse neste domingo à Agência Efe, Rory, de 62 anos, que já marcou a data do casamento com seu parceiro Michael, de 65, para o abril de 2012.

Bandeiras do arco-íris e dos EUA, além de outros países como Porto Rico, Peru e Equador, coloriram a famosa 5ª Avenida de Manhattan.

Muitas associações de gays, lésbicas, transexuais e bissexuais expressavam sua alegria já que muito em breve vão poder se casar em Nova York e ter os mesmos direitos que os casais heterossexuais do resto do país.

“Estou completamente de acordo e me sinto muito feliz. Há 27 anos que isto devia ter acontecido”, disse à Efe Evin Letin, uma jovem sueca de 27 anos, que disse ter viajado para manifestar seu apoio a esse tipo de união.

Blanca, uma jovem boliviana de 30 anos e residente em Nova York, afirmou ter participado do desfile “para apoiar”.

“Não tenho palavras. Em um país tão livre como é os EUA, isto é o mínimo que podia acontecer”, acrescentou Blanca, ao tempo que lamentou que em seu país, Bolívia, “ainda não é legalizado”.
Um grupo de equatorianos e peruanos também marcou presença na marcha.

“Estou orgulhoso de estar aqui, estou completamente de acordo com os casamentos gays e penso me casar”, disse à Efe, a peruana Cristal Flores, de 37 anoso, que lamentou que “no Peru ainda é proibido”.

Representações uniformizadas da Polícia e do serviço de bombeiros nova-iorquinos, de alguns hospitais, pugilistas, líderes de torcida e atletas, entre muitas outras, gritavam “Promessa mantida” e “Graças ao Senado do estado de Nova York”.

O ambiente festivo dominou este tradicional desfile, que acontece no final de junho em Nova York, e que contou com a presença de muitos casais de gays e lésbicas acompanhados de seus filhos, muitos deles levando camisetas a favor da igualdade no matrimônio e outras com vestido de noiva e o cartaz de “aceito propostas de casamento”.

Segundo a estimativa da Polícia de Nova York, mais de meio milhão de pessoas participaram do desfile que terminou no sul da cidade, no bairro de Greenwich Village, em frente ao estabelecimento Stonewall Inn, onde no dia 28 de junho de 1969 foi palco dos distúrbios que deram lugar ao princípio do movimento de libertação gay.

O casamento entre pessoas do mesmo sexo tem uma consideração díspar nos EUA, pois, enquanto em estados como Massachusetts, New Hampshire, Vermont, Connecticut e Iowa, além de Washington DC, e agora Nova York, são permitidos, Califórnia o proibiu após submetê-lo a plebiscito em 2008.

As uniões de fato já eram legalizadas na cidade de Nova York e San Francisco, da mesma forma que estão em outros estados da Califórnia, Colorado, Havaí, Maine, Maryland, Nova Jersey, Ohio, Oregon, Wisconsin e Washington. 

Homossexuais de Nova York comemoram aprovação de casamento gay no estado

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