Nos dois anos em que estiveram presas, as integrantes do Pussy Riot Nadya Tolokonnikova e Maria Alyokhina foram submetidas a trabalho escravo, tortura, deprivação de alimentos e de sono, de acordo com um novo livro lançado nos Estados Unidos. A autora russa Masha Gessen lança, neste mês, o livro Words Will Break Cement, pela editora Riverhead, que narra a trajetória das tres integrantes do Pussy Riot antes e durante sua prisão na Rússia.

A partir de entrevistas com Nadya e Maria, além de conversas com seus familiares e advogados, Masha produziu um raio-x político, cultural e midiático que envolveu a prisão das ativistas anti-Putin. Terceira integrante do grupo, Yekaterina Samutsevich foi a primeira a ser libertada, por meio de uma condicional, em outubro de 2012. As outras duas ganharam a liberdade em dezembro de 2013.

“Maria costurava lençóis, e Nadya, como muitas presidiárias, trabalhava com uniformes de policiais. As fábricas em prisões têm empregos garantidos pelo governo porque elas oferecem preços baixos – a razão disso é o uso de trabalho escravo. As presas não ganham por seu trabalho, embora por lei, deveriam; são forçadas a trabalhar por turnos de 12 a 16 horas nos sete dias da semana, usando equipamento ultrapassado”, contou a autora à revista norte-americana Vanity Fair.

Ainda de acordo com o livro, caso as presas se recusassem a trabalhar, eram subjugadas a deprivação de alimento, de sono e sessões de espancamento. Depois, eram enviadas para realizar trabalhos pesados em outros campos dos presídios. “Muito provavelmente todas as instituições correcionais da Rússia são assim”, completa Masha.

As integrantes do Pussy Riot foram presas em 2012, ao se apresentarem mascaradas na principal catedral de São Petesburgo, entoando um oração punk contra Vladimir Putin, presidente da Rússia.

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