Glenn Greenwald, jornalista norte-americano que detonou o escândalo de espionagem envolvendo o ex-espião da CIA Edward Snowden e a NSA, a Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos, falou sobre os episódios em entrevista exclusiva e transmitida ao vivo ao Virgula Diversão nesta quinta-feira (5).

Glenn lança no Brasil o livro Sem Lugar Para Se Esconder – Edward Snowden, a NSA e a espionagem do governo americano (Editora Sextante), no qual narra os acontecimentos que levaram ao maior escândalo de espionagem da história dos EUA e do jornalismo. O autor também estará ainda na FLIP, a Festa Literária Internacional de Paraty, que acontece entre 30 de julho e 3 de agosto na cidade de Paraty, No Rio de Janeiro. A mesa Liberdade, Liberdade, que terá também Charles Ferguson e acontece no sábado (2).

Em entrevista ao Fantástico, da TV Globo, nesse domingo, Snowden revelou que pediu asilo político ao Itamaraty. O governo brasileiro, no entanto, diz não ter recebido nenhum pedido formal do delator. “O governo do Brasil e da Alemanha se beneficionou muito das revelações do Snowden”, analisa Glenn. Para ele, a presidente Dilma Rousseff tem “uma obrigação moral e ética de conceder asilo a um homem que abriu mão de tudo para revelar esses fatos”, analisa Glenn. “Enquanto o Brasil tiver medo dos Estados Unidos e do governo americano, isso não vai acontecer.” 

Sobre a vigilândia constante da NSA, o jornalista, que mora no Rio de Janeiro, é bem claro. “Não são algums, são todas as comunicações que são vigiadas pela NSA, e eles estão construindo lugares para não apenas coletar, mas também gravar e manter, e eles podem consultar quando quiserem. Por isso, são 90 mil empregados trabalhando. São muitas pessoas que tem acesso a todos os seus dados todos os dias. São bilhões de e-mails, ligações e chats diariamente”, disse. 

Ele falou ainda sobre a primeira vez que viu Snowden, antes de conhecer sua identidade, na cidade de Hong Kong, na China. “Eu vi este rapaz de 29 anos fazendo isso com muita coragem, sem medo. Me senti na responsabilidade de fazer uma reportagem sem medo”, elogia. O perigo, ele afirma, foi real desde o início. “Desde o começo, o governo dos EUA me ameaçou de que iria me punir e que viam meu jornalismo como um crime, que eu seria preso”, relembrou. “Além de, claro, terem detido meu companheiro [o carioca David Miranda] em um aeroporto na Inglaterra para me intimidar”, diz. 

Para ele, cada usuário da internet em todo o mundo, pode fazer duas coisas para se proteger – e ajudar a proteger a liberdade e a privacidade na internet. “Eu acho que cada indivíduo pode fazer duas coisas. Há muitas coisas políticas em que ninguém pode fazer nada. Uma coisa é parar de usar serviços de internet que não protegem a sua privacidade. Se você sabe que o Google, o Skype, o Facebook e o Yahoo estão dando seus dados, você pode não usá-las. Você também pode puní-las na Justiça por oferecer seus dados para o governo americano, para criar esse incentivo”, alega.

“Outra coisa é aprender a tecnoligia de criptografia e browsers seguros. É um pouco complicado, mas isso criará um incentivo para empresas criarem ferramentas mais fáceis. Hoje, temos dez mil pessoas usando internet segura. Se forem 100 mil e depois 100 milhões, vamos criar uma barreira muito forte contra a NSA”, conclui.

Assista à entrevista na íntegra:

Com a ajuda de Snowden, hoje exilado na Rússia, milhares de documentos ultrassecretos da agência foram divulgados na imprensa, por meio dos jornais The Guardian, Der Spiegel e The New York Times, revelando que os governos de George Bush e Barack Obama espionam diariamente e-mails, chats de Facebook e conversas telefônicas de milhões de pessoas no mundo inteiro, inclusive de brasileiros.

Entre as revelações mais explosivas estão documentos que mostram que a presidente Dilma Rousseff, o presidente do México, Enrique Peña Nieto, e a premiê alemã Angela Merkel foram alvo de grampos telefônicos e vigilância constante de suas atividades na internet. Empresas como a Petrobras e o Ministério de Minas e Energia também foram alvo da NSA.

Sem Lugar Para se Esconder – Edward Snowden, a NSA e a Espionagem do Governo Americano
Glenn Greenwald
Editora Primeira Pessoa
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