Na quinta-feira, 12 de maio, a primeira mulher presidente do Brasil foi afastada oficialmente do cargo. Nos próximos 180 dias, Dilma Rousseff será julgada pelos crimes de responsabilidade fiscal de que é acusada, enquanto o vice-presidente Michel Temer assume interinamente a presidência. “A História ainda vai dizer o quanto de violência contra mulher tem nesse impeachment”, disse a presidenta em uma das últimas agendas públicas fora do Palácio do Planalto, defendendo que o processo também está pautado no preconceito contra a mulher. Desde o governo de Ernesto Geisel, um dos militares que assumiu a presidência durante a Ditadura Militar (no período de 1974 a 1979), Temer será o primeiro presidente a não incluir mulheres na Esplanada, com um perfil bem pouco diversificado. As cerca de 20 pastas serão chefiadas por homens brancos, todos de confiança do vice-presidente. Nas articulações para a formação da equipe ministerial, Temer chegou a convidar Ellen Gracie, ex-ministra do STF, para assumir a CGU (Controladoria-Geral da União). Ela recusou.

“A História ainda vai dizer o quanto de violência contra mulher tem nesse impeachment”, disse Dilma

Não é a primeira vez que o sobrenome do vice-presidente é associado a um comportamento sexista. A vice-primeira-dama Marcela Temer ganhou as redes sociais em abril, quando a revista VEJA a chamou de “bela, recatada e do lar”, em perfil publicado no site e na revista impressa. A matéria foi considerada como uma celebração da mulher decorativa, sempre dócil e submissa, com poucas ambições profissionais.

Embora a política seja chefiada predominantemente por homens, no mundo todo, há notícias mais animadoras em outros continentes. Veja como é a presença das mulheres nos ministérios de seis países pelo mundo.

URUGUAI, 4 x ESTADOS UNIDOS, 4

No Uruguai o cenário já é bem mais positivo. Quatro mulheres comandam ministérios no país: María Julia Muñoz, no Ministério da Educação e Cultura; Marina Arismendi, no Ministério do Desenvolvimento Social; Liliam Kechichian, no Ministério do Turismo e Esporte e Eneida de León no Ministério da Habitação, Planejamento e Meio Ambiente.

Ministras da Defesa, da esquerda para a direita: Mimi Kodheli, da Albânia; Jeanine Hennis-Plasschaert, da Holanda; Ursula von der Leyen, da Alemanha; Ine Marie Eriksen Soreide, da Noruega e Roberta Pinotti, da Itália

Nos Estados Unidos, a participação feminina nos ministérios não é inexpressiva, mas poderia ser melhor. Como no Uruguai, quatro mulheres estão no poder: Carla Qualtrough, no Ministério do Esporte e Pessoas com Deficiência; Kirsty Duncan, no Ministério da Ciência; Patricia A. Hajdu, no Ministério dos Direitos da Mulher e Bardish Chagger no Ministério das Pequenas Empresas e Turismo.

CANADÁ, 15  x ALEMANHA, 5

Quem se lembra do Canadá e o ministério considerado “o mais legal do mundo”? Quando assumiu como primeiro-ministro do país, Justin Trudeau cumpriu uma de suas principais promessas de campanha: dividir cargos ministeriais igualmente entre homens e mulheres, 15 vagas para cada. Quando perguntado sobre o porquê dessa iniciativa, Trudeau apenas respondeu: “porque estamos em 2015”, viralizando na internet. Outro ponto para o Canadá é que a chefia das pastas é diversificada, contando com a participação de refugiados, povos nativos e atletas paralímpicos, por exemplo.

Na Alemanha, a imagem de Angela Merkel vem à mente quando falamos de mulheres na política. A chefe de governo não está sozinha, ainda bem. Cinco mulheres estão à frente de ministérios no governo, cuidando de assuntos variados da nação. Ursula Gertrud von der Leyen, por exemplo, foi a primeira mulher na história a chefiar o Ministério da Defesa da Alemanha e as Forças Armadas, escolhida a dedo por Merkel. Além dela, estão Andrea Nahles, no Ministério do Trabalho; Ilse Aigner, no Ministério da Nutrição, Agricultura e Defesa do Consumidor da Alemanha; Manuela Schwesig, no Ministério da Família, dos Idosos, da Mulher e da Juventude e Johanna Wanka no Ministério da Educação e Pesquisa.

ÁFRICA DO SUL, 13 :) x MÉXICO, 2 :(

Outro contexto mais abrangente é o da África do Sul, segundo país com o maior número de ministras na África, de acordo com relatório da União Interparlamentar, divulgado em 2015. Segundo os dados, elas cuidam de 41,7% dos ministérios, em pastas como Ciência e Tecnologia, Comunicações, Defesa, Relações Exteriores, Desenvolvimento Social, entre outras. Ao todo, são 13 mulheres no comando.

Os dados da África do Sul são absolutamente contrastantes em relação ao que se vê no México, por outro lado. Apenas duas mulheres fazem parte do Ministério de Enrique Peña Nieto, presidente do país: Claudia Ruiz Massieu Salinas, à frente do Ministério de Relações Exteriores, e Rosario Robles Berlanga , do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Territorial e Urbano.

AUSTRÁLIA, 5 x BRASIL, 0

Para finalizar a viagem aos continentes, apuramos a representação feminina em ministérios na Austrália, que participam de maneira expressiva no governo. Elas chefiam cinco pastas: Julie Bishop no Ministério das Relações Exteriores; Michaelia Cash no Ministério do Trabalho; Sussan Ley no Ministério da Saúde; Kelly O’Dwyer no Ministério das Pequenas Empresas; Marise Payne no Ministério da Defesa e Fiona Nash no Ministério do Desenvolvimento Regional.

Aqui no Brasil, resta a esperança de que nós, mulheres, não voltemos à era das apenas belas, recatadas e desligadas completamente da política.

Brasil, 0 x Canadá, 15: quantas mulheres existem nos Ministérios de outros 6 países

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