A constante pressão feita pelo MST parece ter surtido efeito: segundo a entidade, 580 mil famílias já foram assentadas. “Nenhuma fazenda foi desapropriada por iniciativa do governo, só depois que o movimento agiu. Isso mostra que nossa tática é correta e que estamos no caminho certo”, comemora.

Stédile acredita que a solução para o Brasil é uma revolução social e cultural. “Não é o governo que vai resolver o problema, é o povo. Se não houver a participação das massas na política, a tendência é que os governos se repitam ou piorem.” Para ele, o MST é um desdobramento de movimentos políticos do passado – “já fomos Canudos, Contestado, os quilombos e as ligas camponeses” – e peça fundamental nesse processo de mudança.

Mesmo defendendo participação direta na política, o líder do movimento afirmou que “fazer política é diferente de fazer eleições e criar partidos”. “Política é quando as pessoas se mobilizam para resolver um problema. Criar partido não é o caminho. Por favor, não queiram nos prostituir”, declarou.

Ao final do debate, Stédile clamou a sociedade para se mobilizar e lutar por mudanças no país. “Só é preciso tomar cuidado para não escolher o lado errado, o dos fascistas.” E deu uma “ótima” solução para combater a epidemia de dengue no Rio de Janeiro: “É só colocar uns bons bolcheviques para resolver a situação. Eles não iriam se render como essas vítimas do neoliberalismo”.

Para Stédile, quem resolve os problemas do país é o povo

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