Já imaginou passar suas férias parada no trânsito? A ideia é absurda, mas em São Paulo está bem próxima da realidade. Uma pesquisa encomendada pelo Movimento Nossa São Paulo ao Ibope aponta que os paulistanos passam, em média, 2 horas e 42 minutos no trânsito todos os dias. Por ano são 27 dias. Isso mesmo, 27 dias tentando se locomover pela cidade que tem o 6º pior índice de trânsito do mundo.

Hoje (22) é o dia mundial sem carro, uma data simbólica que convida à reflexão sobre o modelo de mobilidade urbana nas cidades e que sugere a experiência de deixar o carro em casa por um dia para tentar se transportar de maneira alternativa. E uma dessas alternativas é a bicicleta, um meio de transporte que não polui, não faz barulho, ocupa cinco vezes menos espaço que o carro e todos os dias ganha novos adeptos.

“A bicicleta é um meio de transporte simples e eficaz”, resume a publicitária Vânia Bittencourt. Quando começou a pedalar em São Paulo, Vania sempre se vestia com calça legging e roupas dry feet. Mas, com o tempo, quis simplificar a vida e aderiu à onda do cycle chic. Hoje pedala de vestido, meia calça, salto alto e maquiagem. “E sinto que sou bem mais respeitada no trânsito agora, porque os motoristas vêem que estou indo trabalhar como eles”, complementa.

Se você nunca pedalou, é natural que pense que isso é ideia de maluco. Mas, acredite, com um pouquinho de preparo físico e percorrendo os caminhos certos é possível se locomover por São Paulo e curtir a cidade ao mesmo tempo. Não sabe por onde começar? Aí vão algumas dicas de roteiros que podem ser úteis para você adotar a magrela como meio de transporte. Experimente.


Roteiro 1 – Zona Sul – Pinheiros
O Jardim Europa é um bairro delicioso para pedalar. As ruas são arborizadas, silenciosas, o Mube (Museu Brasileiro de Escultura) fica ali no caminho e você ainda pode passar pelos deliciosos bistrôs que ficam escondidos pela Vila Olímpia e pelo Itaim. Saindo dos bairros do Brooklin, Moema, Planalto Paulista e Campo Belo você pode seguir por algumas das ruas paralelas à avenida dos Bandeirantes e cruzar a Ibirapuera e a Santo Amaro. Daí é só seguir pelo Itaim em direção ao Jardim Europa e aproveitar a paisagem. Dali para pinheiros, basta atravessar as avenidas Gabriel Monteiro da Silva e Rebouças. Esse roteiro, além de agradável, é ótimo para iniciantes já que não passa por nenhuma grande avenida.

Roteiro 2 – Zona Oeste
Os bairros da Lapa, Pompéia e Vila Romana são extremamente agradáveis, além de muito bem servidos em serviços e estabelecimentos comerciais. Nesses bairros, para resolver pequenos problemas do dia-a-dia, a bicicleta é mais do que bem vinda. Esses bairros são contornados por avenidas como Francisco Matarazzo, Pompéia e Sumaré e em alguns trechos apresentam muitas subidas. Mas se você mora em nas redondezas, vale a pena explorar caminhos para descobrir como usar a bike para deslocamentos curtos ou passeios de fim de semana (não deixe de experimentar o café da manhã no Parque da Água Branca, que é fabuloso)

Roteiro 3 – Centro de São Paulo
O centro de São Paulo reúne marcos arquitetônicos, centros culturais, restaurantes, bares, museus, teatros e cinemas. E o melhor – tudo isso num raio de 6 quilômetros – ou seja, uma área perfeita para ser explorada de bicicleta. Imagine que delícia aproveitar um concerto na Sala São Paulo, uma peça no Teatro Municipal, depois comer um lanche no Bar do Estadão, tomar um chop no Bar Brahma e experimentar um tempurá na praça da república sem pegar trânsito nem pagar estacionamento!

Roteiro 4 – rumo à Paulista
Chegar à região da avenida Paulista vai sempre ter um problema: ela fica em um dos pontos mais altos da cidade, o que significa que você terá que enfrentar uma subida pelo caminho. A alternativa é descobrir as ruas menos inclinadas e mais agradáveis para pedalar. Se você vai sair da zona sul, por exemplo, pode passar por dentro do parque do Ibirapuera e sair lá na rua Abílio Soares, uma das mais tranquilas para subir até o Paraíso. De lá para a Paulista é um pulo. Já se você vier da zona norte, o melhor é subir a avenida Sumaré – onde os motoristas costumam respeitar os ciclistas – e de lá pegar a Doutor Arnaldo. Esses caminhos costumam ser indicados para quem já tenha alguma experiência.

Roteiro 5 – integração com o metrô
A bicicleta não precisa ser usada sozinha, você pode integrá-la ao transporte público.  Diversas estações do trem e do metrô de São Paulo possuem bicicletários onde você pode deixar a magrela sem pagar nada – e com a garantia de que vai encontrá-la quando voltar. Veja aqui a relação de bicicletários oficiais.     

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Que tal escapar do trânsito em uma magrela?

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