Paty do Alferes, na região do Vale do Café fluminense, abriga o primeiro museu dedicado à bebida mais nacional de todas: a cachaça. Aberto em 1991, o lugar está sob nova direção desde setembro de 2013, passou por uma reforma e agora pode ser visitado por qualquer cidadão curioso em relação à história e aspectos da produção da caninha, e que desembolse meros R$1,50. O passeio inclui a possibilidade de provar algumas das mais de 2 mil cachaças expostas nas prateleiras.

O museu nasceu da cabeça do aviador e apaixonado pela bebida Iale Acioly, depois de anos de pesquisa, reuniu, com a ajuda da mulher, Íris, não apenas um vasto acervo de cachaças, mas também de outros materiais sobre a história do produto: quadros, crônicas, artigos, livros especializados, trovinhas, documentos históricos e um antigo mini-alambique de cobre. As cachaças são provenientes de várias regiões do Brasil e catalogadas de acordo com os temas de seus rótulos, quase sempre inusitados, como é tradição no Brasil. Os visitantes se surpreendem com figures de índios, mulheres, futebol, tipos regionais, sítios, vestuário, pais de santo. Os nomes específicos das cachaças são ainda mais peculiares: Amansa Corno, Xixi de Moça, Amansa Sogra, Chupa Tudo e outras brincadeiras de duplo sentido ou de trocadilhos populares.

No Museu da Cachaça também estão instaladas uma indústria artesanal de aguardente, duas adegas e um bar para degustação. Marlene de Moura, guia e funcionária do museu há cerca de 20 anos, conta que recebem visitantes de todos as partes do Brasil e do mundo, e que em tempo de Carnaval a procura aumenta. “Começo a visita guiada mostrando a parte de laboratório, depois o engarrafamento e, no final, a adega de envelhecimento, onde fazemos uma prova de aguardente envelhecida”, explica — cachaceiros e curiosos podem agendar visitas em grupo por telefone (24-2485 1475). Mas também há a possibilidade de experimentar as cachaças de sabores, batidas e infusões para licores. Um verdadeiro paraíso para quem é apreciador de pinga, porque podem ser degustadas amostras com dois, cinco, dez e até 20 anos de envelhecimento. Porém, a única cachaça vendida no espaço é a Candé, fabricada em Montes Claros, Minas Gerais, pelos fundadores do acervo e envelhecida em barris de carvalho no próprio museu.

Além do processo de fabrico, o visitante aprende que a cachaça remonta aos primórdios do século 16, tempos em que os senhores de engenho davam aguardente aos escravos no desjejum, na esperança de que trabalhassem mais e melhor nos canaviais. Mais tarde, a cachaça deixou de ser exclusiva das senzalas e tornou-se hábito nas casas-grandes. No século 17, a produção e a comercialização da bebida chegaram a ser proibidas no país, mas quando a Corte portuguesa se mudou para terras tupiniquins, em 1808, a cachaça já era produto nacional.

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