“O povo está na rua e não é carnaval”, gritava a multidão pacífica que tomou as ruas da cidade de São Paulo nesta segunda-feira (17), no quinto protesto contra o aumento da tarifa do transporte público, que passou de R$ 3,00 para R$ 3,20 no inicio do mês de junho. 

O Portal Virgula acompanhou de perto os manifestantes, começando a jornada pelo Largo da Batata e marchando pela Faria Lima em direção à Avenida Paulista. 

“O problema não são os 20 centavos, mas a corrupção que tomou conta do país. Estamos aqui pelo nosso direito de protestar. As cenas de abuso da polícia contra os manifestantes fizeram com que essa multidão saísse às ruas”, afirmou a estudante de direito Regina Macedo, enquanto um grupo de manifestantes pregava cartazes com palavras de ordem em um ônibus preso no trânsito da Avenida Brigadeiro Luiz Antônio. 

Esse foi o clima dominante na passeata, que assim como a população da capital paulista, misturou cidadãos de todas as idades e classes sociais com um mesmo objetivo: mostrar a insatisfação com o poder público. 

Extremamente assediada pela multidão, a sorridente aposentada Marta Rocha, 82 anos, dançava enquanto exibia um cartaz com os dizeres ‘eu não vim brincar, vim manifestar’. 

A cada esquina mais gente se juntava ao protesto. E a cada adição, uma nova rima, uma nova palavra de ordem e uma nova reivindicação. O clima era ameno mesmo entre as pessoas paradas no trânsito em decorrência da passeata. “Já que estou aqui, vou mostrar o meu apoio”, disse o engenheiro Ricardo Queiroz, preso havia mais de duas horas dentro de seu carro. “Não tem violência, é muito bonito ver todas essas pessoas nas ruas”, completa. 

Os moradores de São Paulo, que vivem em uma megalópole que oprime e exige transformações diárias – muitas vezes passando por cima dos próprios limites físicos e psicológicos da população, tomaram as ruas, sobretudo, para gritar contra o péssimo serviço de locomoção pública. O aperto diário no metrô, as sucateadas frotas de ônibus, as políticas públicas que priorizam veículos e a falta de linhas na periferia.  

Nas janelas dos prédios, tanto residenciais quanto empresariais, o apoio ao movimento era amplo. Crianças, homens engravatados e mulheres sacudiam lençóis brancos e atiravam papel picado pelas janelas, enquanto a massa cantava em uníssono o Hino Nacional. A reportagem do Portal Virgula, felizmente, durante todo o trajeto não presenciou cena alguma de violência, tanto por parte dos manifestantes quanto da polícia, e nenhum tipo de depredação do patrimônio público ou privado. 

“Tenho muito orgulho de ser brasileiro hoje. Estou cansado, mas muito feliz por fazer parte de um momento histórico. Dizem que os jovens não fazem nada para mudar a história, hoje nós fizemos”, afirma o estudante Vinícius Camargo, 22 anos, ao deixar a marcha em direção ao metrô, que permaneceu aberto durante todo o ato na Paulista. 

A satisfação de Vinícius era compartilhada por cada rosto exausto que ocupava o mais importante centro financeiro do Brasil. Para o paulistano, que perde em média duas horas por dia para ir e voltar do trabalho, as quatro horas de caminhada por um transporte de qualidade foram tiradas de letra. 

No vídeo abaixo você acompanha os melhores momentos da manifestação pelos olhos dos repórteres do Portal Virgula: 

Sem mais artigos