Niterói guarda um dos patrimônios
arquitetônicos mais importantes do mundo: um conjunto de sete edificações projetados
por Oscar Niemeyer (1907-2012), batizado, é claro, de Caminho Niemeyer. As
construções, que abrigam equipamentos culturais administrados pelo município,
estão dispostas em 11 quilômetros ao longo da orla da cidade vizinha ao Rio de
Janeiro. Os turistas percorrem a distância de queixo caído, encantados com a
beleza da paisagem que combina estas joias da arquitetura com a Baía de
Guanabara, e a silhueta dos morros cariocas ao fundo. O conjunto de Niterói é
uma espécie de pequena Brasília, porém, mais charmosa, diriam os niteroienses.

A pérola do complexo é o Museu de
Arte Contemporânea, o MAC, inaugurado em 1995. “Foi a partir do sucesso do
Museu, que hoje é internacionalmente conhecido e recebe gente do mundo inteiro,
ele teve a ideia de criar esta rota”, explica Marcos Gomes, diretor-executivo do
Caminho Niemeyer. O maior dos arquitetos brasileiros, e um dos mais importantes
do mundo, idealizou um complexo de construções não apenas como um local de
contemplação de sua obra, mas principalmente para usufruto cultural da
população. Cada prédio recebe um equipamento cultural – teatro, museu, memorial
etc.

O projeto é ambicioso. Mais de R$
100 milhões já foram investidos nas obras, nos últimos dez anos, e o conjunto
ainda não está concluído. Mas há muito o que se ver ali. “Este ano inauguramos
o Centro de Atendimento ao Turista (obra de Niemeyer), o Memorial Roberto
Silveira, e nos próximos dois meses vamos reabrir o Teatro Popular”, conta
Marcos Gomes. O Memorial abriga ainda o Centro de Memória da História da
Literatura Fluminense, uma biblioteca virtual cujo acervo é composto somente
por obras de autores do Estado do Rio. Ainda este ano, a Prefeitura promete
inaugurar também a Escola de Humanidades, Arte e Cultura no mesmo complexo. “No
prédio anexo à Escola pretendemos instalar o Museu Oscar Niemeyer. Mas este
não tem data de inauguração ainda, dependemos de parcerias”, revela o
diretor-executivo. “Queremos fazer ali um museu dedicado ao desenho e à
arquitetura, abrangendo a obra de outras artistas, além de Niemeyer”.

Nos últimos meses, revitalizado, o
Caminho tem recebido espetáculos e shows gratuitos, como o de Gilberto Gil, em
abril, no Teatro Popular. Com a recente reativação dos espaços, o número de
visitantes nos últimos seis meses já é o dobro do de pessoas que passaram pelo
Caminho no ano inteiro de 2012, garante Gomes. Segundo ele, são 40 mil
visitantes do início do ano até o mês de junho. A visitação é gratuita, exceto
a entrada no MAC, que custa R$ 6,00. Outros prédios projetados pelo arquiteto
são o Terminal de Barcas de Charitas, onde começa a visitação guiada, o Centro
Petrobras do Cinema Brasileiro e a Praça JK.

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