A ministra da Justiça da França, Christiane Taubira, abriu nesta quinta-feira o debate no Senado sobre a lei que autoriza o casamento entre pessoas do mesmo sexo, um mês e meio depois do voto favorável dos deputados na Assembleia Nacional.

A câmara alta debaterá a polêmica lei até o próximo dia 13 com certa incerteza sobre a decisão final, após vários deputados de diferentes formações políticas anunciarem que não vão seguir a orientação de voto de seus partidos.

Taubira abriu a sessão mantendo o tom e as formas do debate na Assembleia, mostrando-se sóbria. “Temos a honra de apresentar um projeto de lei aprovado amplamente na Assembleia Nacional e que abre o casamento e a adoção para os casais de mesmo sexo”, disse a ministra, que considerou que o texto “não torna mais frágil a instituição da família”, mas “a reforça”.

O senador da conservadora União por um Movimento Popular (UMP) Patrice Gélard destacou em seu discurso que a Constituição francesa obriga a condicionar as leis do país com os tratados internacionais adotados e que estes definem ainda o casamento como a união entre um homem e uma mulher.

Tudo indica que o texto conta com menos apoio na câmara alta do que obteve no último dia 12 de fevereiro, na baixa, quando recebeu o apoio de 329 deputados, 100 a mais do que os que votaram contra.

Naquela ocasião, a oposição apresentou mais de 5 mil emendas, enquanto no Senado só foram apresentadas 279. Com os ajustes previstos no Senado, os opositores ao texto intensificaram seus protestos.

Após terem convocado duas grandes manifestações, uma no dia 13 de janeiro e outra no dia 24 de março, nas quais afirmaram ter reunido mais de um milhão de pessoas em cada, preparam um novo protesto para o próximo mês, se o governo não retirar a proposta.

Enquanto isso, as pequenas ações de protesto se multiplicam, como a que ocorreu nesta noite na frente da casa da senadora Chantal Jouanno, que mostrou seu apoio ao casamento homossexual.

Uma pesquisa divulgada hoje pela rede de televisão “BFMTV” mostra que 53% dos franceses são favoráveis ao casamento entre as pessoas do mesmo sexo, um ponto percentual a menos que em dezembro do ano passado.

A pesquisa revela, no entanto, uma mudança de tendência quanto à legalização da adoção por parte de casais homossexuais: 56% são contra, enquanto no final de 2012, esse percentual chegava a 48%.

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