Em plena era das câmeras digitais e da consequente popularização da fotografia, a Sociedade Fluminense de Fotografia comemora este ano o seu 70° aniversário. A instituição fundada em 1944 pelos amantes da fotografia Jayme Moreira de Luna, César Salamonde e Paulino José Soares de Souza Neto agora investe em reforçar a importância da arte de fotografar para as novas gerações. Formada por cerca de 200 membros, a Sociedade continua ativa através das suas exposições e da sua escola de fotografia, em funcionamento de segunda a sábado, em Niterói, no Rio de Janeiro.

Desde que nasceu, a SFF, como é mais conhecida, se esforça para ser um dos depositários da memória da fotografia no Brasil, mas não deixa de incentivar a fotografia contemporânea. “Temos uma imensa carga de responsabilidade por sermos uma das poucas instituições do gênero a completar 70 anos com projetos para o futuro”, explica Antonio Machado, presidente da SFF há 18 anos. A história começa nos tempos da Segunda Guerra Mundial, quando o mineiro Jayme Moreira de Luna, fotógrafo e bacharel em Direito, mobilizou um grupo de amigos também apaixonados pela fotografia para fundar a Sociedade na sua própria casa, em Niterói. Presidente reeleito por várias vezes, criou também a SFF-Revista. Jayme teve trabalhos sobre lugares e gente do país premiados em muitas exposições internacionais, o que ajudou a projetar a fama da SFF entre fotógrafos profissionais e amadores. Em 1949, uma lei autorizou o então Estado da Guanabara a doar um terreno para a construção de uma sede.

Hoje a escola de fotografia da SFF oferece cerca de 20 cursos, com uma agenda de exposições individuais e coletivas em duas galerias regularmente. Há ainda uma intensa agenda de palestras, projeções e consultas ao seu acervo histórico; sua biblioteca serve de consulta para estudantes universitários, que procuram títulos do século 19 até os dias atuais. “Para celebrar os 70 anos, já temos uma exposição na parede, lançamos nossa logomarca comemorativa para marcar a data e temos uma vasta programação ao longo do ano, com mostras aqui na sede da SFF e em outros locais, além de palestras. No mês de agosto teremos também a convocatória de um grande coletivo de fotógrafos”, conta o presidente da instituição.

A sociedade que hoje em dia oferece cursos básicos de fotografia, iluminação, prática de moda para fotógrafos e modelos, fotografia de eventos sociais, filmagem, fotojornalismo, além de formação em ferramentas de edição, reafirma o selo de qualidade e a importância que teve para o movimento fotográfico no Rio de Janeiro desde a sua formação. Antonio Machado relembra um episódio que ilustra essa importância: “Ainda não existia a Ponte Rio-Niterói e a travessia de carro era feita em barcaças, quando recebemos aqui um telefonema do diretor da empresa responsável pela obra querendo saber o que estava acontecendo aqui, já que havia aumentado sobremaneira o movimento de veículos em direção a Niterói para assistir a uma exposição nossa. Ele pediu para que avisássemos da próxima vez que houvesse algo parecido, para ele colocar mais barcaças a disposição. Era uma época em que Niterói era capital do antigo estado do Rio”, lembra Antonio.

Fotógrafos amadores ou profissionais interessados nos cursos e eventos da SFF dispõem de mais informações no site.

 

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