No último domingo no VMA (28), a cantora Lady Gaga com seu alter ego Jo Calderone surpreendeu muita gente quando surgiu vestida de homem. Mas não é de hoje que a androginia está em evidência. Apesar do preconceito, na moda e nas artes a barreira entre os sexos nunca foi limite para criar e muitos artistas já se permitiram brincar com a fantasia daquilo que parece, mas não é. Jo Calderone é apenas mais uma prova disso.


Lady Gaga como Jo Calderone no VMA 2011

Na onda da androginia, vem o modelo sérvio Andrej Pejic que, com traços extremamente delicados, confunde quem vê seus editoriais nas revistas. Ele pode alternar e personificar homens e mulheres como poucos e, nas passarelas, desfila coleções femininas e masculinas – ele foi um dos destaques das últimas edições do Fashion Rio e da São Paulo Fashion Week. Neste ano ele entrou na lista das 100 mulheres mais sexies do mundo da revista “FHM”. Pejic se tornou um símbolo da transformação nas imagens de moda, em que a diferença entre atitudes masculinas e femininas não importam tanto. 


Andrej Pejic

Lea T. é outra personagem contemporânea da transgressão dos gêneros. Filha do ex-jogador de futebol Toninho Cerezo, Lea T. nasceu Leandro e hoje é uma das tops mais aclamadas entre os estilistas. Na verdade, não fosse o fato de todos saberem que a modelo nasceu homem, seria praticamente impossível identificá-la como tal.

O título de precursora brasileira da quebra de barreiras entre os sexos, sem dúvida, fica com Roberta Close. Ela, que além de se aventurar pelas passarelas, desfilando até para Thierry Mulger, foi capa da revista Playboy em maio de 1984 e pela primeira vez na história da publicação a principal atração não foi uma belíssima mulher, mas uma transexual. A chamada da capa era tipo escândalo: “Incrível. As fotos revelam por que Roberta Close confunde tanta gente”. Caminhando pelas portas abertas por Roberta, Ariadna (que nasceu no mesmo ano do lançamento da histórica Playboy) posou para a mesma revista 27 anos depois. 

Boy George, Joan Jett, Cássia Eller, David Bowie e Ney Matogrosso são outros artistas que quebraram barreiras pela mistura do feminino e masculino tanto em suas canções quanto em seus looks. Usando de talento e carisma, esses artistas driblaram o preconceito e conquistaram milhares de fãs.


Boy George, Joan Jett, Cássia Eller, David Bowie e Ney Matogrosso

A sempre antenada consultora de moda Costanza Pascolato, nos idos dos anos 80, escreveu num artigo de jornal: “a androginia é a forma de expressarmos nossas ideias mutantes sobre o que é ser homem ou mulher”. Apesar de ainda existir preconceito, a cada dia mais barreiras se quebram diante do tema. Estaríamos ganhando consciência de que realmente uma definição de gênero não é o fator mais determinante num ser humano?

Veja na galeria alguns ícones transgressores do gênero e personalidades e modelos que já posaram num estilo andrógino para editoriais de moda.

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