Depois do fotojornalista Roberto Schmidt, da Agence France-Press (AFP), explicar o contexto da foto em que Barack Obama, a primeira-ministra dinamarquesa Helle Thorning-Schmidt e o primeiro-ministro britânico David Cameron  tiram uma ‘selfie’, o jornal New York Times divulgou um manifesto contra a postura da Casa Branca em relação a fotojornalistas. 

A imagem foi tirada na última terça, (10), durante as homenagens ao líder sul-africano Nelson Mandela – morto no dia 5 de dezembro e gerou revolta da imprensa e de internautas do mundo inteiro. “Ao meu redor, sul-africanos estavam dançando, cantando e sorrindo em homenagem ao líder morto”, explicou em um texto no blog da agência.

O fotojornalista também criticou a forma sobre como os jornais especularam que Michele Obama estava com ciúmes de seu marido com a primeira-ministra. “Na realidade, apenas alguns segundos antes, a primeira-dama estava ela mesma brincando com aqueles ao seu redor.”

No entanto, a ‘selfie’ também levantou outra polêmica. O New York Times publicou um texto no qual aponta a hipocrisia da administração de Obama e como isso dificulta o exercício do jornalismo livre no país: “A foto do presidente com os primeiros-ministros revela a democratização das imagens na era virtual, o que contrasta com o comportamento da gestão Obama em relação à imprensa”, diz o artigo.

“A administação de Obama – que usou em sua campanha a transparência e abertura de seu governo – é anti-democrática em relação à mídia, já que impedem os jornalistas de tirarem fotos prórpias do presidente e apenas envia fotos oficiais de sua assessoria de imprensa”.

“A White House Press Corps – grupo de jornalistas e correspondentes responsáveis por cobrirem assuntos que envolvem o presidente e a Casa Branca – foi proibida de fotografar Obama em seu primeiro dia de trabalho em janeiro de 2009. No lugar, várias fotos de ‘fotos oficias’ foram divulgadas”, diz o artigo. 

“Desde então, a imprensa estadunidense só pôde retratar o presidente sozinho no Salão Oval duas vezes: em 2009 e 2010, e em ambas, ele estava falando no telefone. Imagens dele em assuntos pessoais nunca foram permitidas”

O artigo também diz que, atualmente, quando um evento que envolve o presidente acontece, ele logo é dado como ‘privado’ e com acesso proibido da imprensa. No entanto, um pouco mais tarde, uma foto oficial é divulgada no Flickr da Casa Branca ou no Twitter.

Em resposta a essas proibições, 38 dos maiores e mais respeitados órgãos de imprensa dos EUA, incluindo o New York Times, assinaram, em 21 de novembro de 2013, uma carta endereçada à Casa Branca, protestando sobre o acesso restrito de fotojornalistas ao presidente.

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