O que acontece com os gigantescos carros alegóricos, alegorias, penduricalhos quando o desfile de Carnaval acaba? A exposição fotográfica As Cinzas de Quarta ajuda a responder essa pergunta.

Com imagens clicadas pelo fotógrafo Gabriel Quintão na região do Sambódromo paulistano, a mostra abre no MIS (Museu da Imagem e do Som) na próximo dia 12, véspera da sexta-feira de Carnaval, abrindo o projeto Nova Fotografia. “As fotografias incentivam uma comparação entre a alegria do carnaval e a vida real das pessoas que fazem o espetáculo acontecer”, explica Quintão

Captadas em um terreno da zona norte, onde as escolas de samba abandonam suas criações depois dos desfiles, as fotografias retratam a fragilidade da felicidade do Carnaval e o esforço dos foliões em sustentar algo nascido pra morrer após 80 minutos de uso.

“Essa é a ética das manifestações culturais. Elas são feitas para sobreviver apenas em pensamento. O material que representou a vida na avenida volta para o mundo inanimado no segundo seguinte ao fim do desfile”, comenta Quintão.

A exposição revela uma situação espantosa – o simples abandono de toneladas de material confeccionado durante cerca de um ano e que de repente vira inutilidade. “As sobras todo ano são acumuladas lá. Depois, o que não pode ser reciclado vai pro lixão mesmo. Uma parte é reaproveitada, mas a grande maioria vira lixo”, diz o fotógrafo.

“Quando a festa termina tudo aquilo é passado. As pessoas que trabalham com a criação disso tudo precisam ter um desprendimento muito grande, assim como nas maiores alegrias da vida, que simplesmente passam”, reflete.

As Cinzas de Quarta – Nova Fotografia
MIS – Museu da Imagem e do Som
Av. Europa 158 – Jardim Europa
12/02 a 29/03 – terça a sexta 12h/22h; sáb, dom e feriado 11h/21h
Entrada Franca

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