Se você ainda não viu (ao vivo ou na internet) a comentada performance Macaquinhos, nem comece a ler esta matéria!

Tá bom, vamos dar uma ajuda: é aquela em que um grupo de pessoas, todas nuas, exploram os c…s umas das outras. A performance foi concebida pelos artistas Caio, Mavi Veloso e Yang Dallas, e costuma ser apresentada contando com outros artistas convidados.

Quer ver? Veja e depois a gente continua:

Mas muito antes desses macaquinhos surgirem, a arte já trazia performances insólitas e inusitadas, que entraram para a história. O The Living Theatre, grupo norte-americano fundado em 1947, coleciona espetáculos e performances pra lá de bizarras.

No início dos anos 70, o grupo veio ao Brasil, onde firmou parceria com o Teatro Oficina e Zé Celso Martinez Correa (logo com quem!). O resultado, claro, só podia dar em confusão: as performances dos dois grupos chocaram a cidade mineira de Ouro Preto, e acabou indo todo mundo em cana.

Outro grupo famoso é o Fluxus, que surgiu nos anos 60 como uma espécie de rede: rolavam “filiais” ou “franquias” do Fluxus em vários países. Os trabalhos misturavam música, poesia, performances, happenings…

Entre as performances/happenings memoráveis do Fluxus, está o Happening Gund, onde os integrantes ficavam nus, munidos de equipamento de som e de filmagem. Entre os artistas que já se envolveram com o Fluxus estão lunáticos de carteirinha como Yoko Ono, John Cage, Joseph Beuys

Ah é! Faltou falarmos da diferença entre performance e happening. Bom, para analisar o assunto com profundidade, só mesmo estudando muito o tema, mas basicamente podemos definir que a performance pode se repetir em diversas ocasiões (como a dos Macaquinhos), enquanto que o happening acontece uma única vez – daí o nome.

Uma espécie de happening foi o passeio do pintor e arquiteto Flávio de Carvalho pelas ruas do centro de São Paulo em 1956. Trajando uma saia de nylon e uma camisa bufante, roupas desenhadas por ele mesmo, Flávio virou assunto nacional e chocou o populacho limitado da época. O artista batizou o evento de Experiência Nº3.

Sim, porque em 1931 ele já havia realizado a Experiência Nº2: durante uma procissão de Corpus Christi no centro de SP, Flávio caminhava no sentido inverso da multidão. Quase foi linchado pelo povo, e terminou preso.

saia

Outra colecionadora de performances bizarras é a sérvia Marina Abramovic. Surgindo no cenário nos anos 60, a artista roubou a cena nos anos 70 e continua desafiando os conceitos. Cada vez mais surtada. Em 2010, por exemplo, ela passou 700 horas sentada simplesmente encarando os visitantes do MoMA de Nova York.

Seria impossível listar ou descrever as performances mais doidas de Marina, porque qualquer coisa que ela faça será insólita. Então fiquem com esse vídeo, só pra dar um gostinho:

E a nudez? Dá pra notar que ela (a nudez) costuma aparecer bastante nas performances. Em 1970, o brasileiro Antonio Manuel ficou completamente nu em pleno MAM do Rio. A performance foi fotografada e gerou O Corpo é a Obra, uma instalação que imortalizou a performance.

Mais recentemente a nudez volta a atacar: a suíça Miló Moiré pegou ônibus e metrô nua, com o corpo coberto por palavras pintadas com os nomes das peças de roupas que deveriam estar ali.

Em 2008, o brasileiro Maurício Ianês realizou A Bondade de Estranhos. Ele ficou morando no prédio da Bienal, em SP, e começou totalmente nu. A ideia é que ele sobrevivesse de ofertas feitas pelos visitantes, que lhe davam roupas, comida e outras bugigangas.

Um pelado, ou quase, atual é o performer Yuri Tripodi, que em 2014 foi à praia de Porto da Barra, em Salvador trajando um estranho bíquini, o “biquíni quadradão”. Parou a praia, claro, e foi fotografado pelos presentes.

Quer mais? Em 1971, Chris Burden chamou uma pessoa para lhe dar um tiro na abertura de sua exposição; em 2013, o russo Piotr pregou seus testículos com um martelo no chão de uma praça, e ficou ali, nu, sob 10 graus; e por aí vai…

Para encerrar, vamos conhecer Petrúcio Felker, um dos artistas mais freaks e absurdos da arte mundial. Pena que ele só existiu na ficção, nesta imperdível animação de Allan Sieber:

 

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