A ministra da cultura, Marta Suplicy, reuniu-se nesta segunda-feira (2) com estilistas, empresários e representantes da indústria da moda na Abit, a Associação Brasileira da Indústria Têxtil, no bairro de Higienópolis, em São Paulo. O encontro foi convocado para discutir a recente polêmica em torno da Lei Rouanet. “Não tem protegidos. O que interessa é o interesse brasileiro de levar a moda e torná-la o nosso brand mais conhecido”, declarou.

Marta foi criticada por aprovar, à canetada, projetos para os estilistas Alexandre Herchcovitch, Ronaldo Fraga e Pedro Lourenço. Para este último, foi aprovada a captação de R$ 2,8 milhões por meio de incentivos fiscais para um desfile que deve ser realizado em Paris, com inspiração em Carmen Miranda.

Sobre Pedro, que é filho dos estilistas Gloria Coelho e Reinaldo Lourenço, Marta argumentou que não importa o fato de um desfile ser restrito a uma audiência muito pequena. “O que tem importância é que a mídia vai estar lá. Isso é o que projeta.”

Durante a conversa, Marta falou sobre os quatro critérios que usou para aprovar os projetos: internacionalização da moda brasileira no exterior, capacidade de criar acervo de cultura de moda brasileira, apropriação de símbolos nacionais e valorização de técnicas locais como artesanato, e incentivo de jovens talentos.

Questionada pela imprensa, Marta disse que jovens de baixa renda ou de comunidades pobres podem – e segundo ela, devem – se inscrever no projeto. “Se for comprovado que é sério e tem condição de prosperar”, disse.

De acordo com ela, “assim como o Minc leva escritores brasileiros para a feira de Frankfurt”, o mesmo deve ser feito com estilistas. Marta disse ainda que os três estilistas foram os primeiros a propor projetos por meio da Lei Rouanet – contrariando as críticas de que ela teria privilegiado estilistas de maior projeção.

Outro detalhe discutido no evento foi uma contrapartida exigida pelo Minc aos estilistas: os três estilistas aprovados se comprometeram a dar aulas para estudantes de moda em faculdades como Santa Marcelina e Senac, ambas em São Paulo.

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