O quadro Vista do Catete e Laranjeiras, de Thomas Ender, avaliado em 1 milhão de reais, e outras 54 obras de arte pertencentes ao Museu Imperial de Petrópolis, no Rio de Janeiro, sumiram do mapa. As obras faziam parte do acervo deixado por Paulo Geyer ao museu carioca em 1999 – mas viraram o centro de uma disputa na Justiça protagonizada pela viúva, Maria Cecília, e outros herdeiros do magnata do petróleo.

Um relatório recente do Instituto Brasileiro de Museus comprovou o desaparecimento das obras após um arrombamento, em julho, dos cofres da mansão da família. A casa também foi doada por Paulo ao museu em 1999, mas foi habitada por Maria Cecília até a sua morte, aos 92 anos, em junho.

Neste período, também circularam rumores de que outros itens de coleção foram subtraídos e acabaram indo parar nas casas de outras membros da família. Em 2008, Maria Cecília pediu na Justiça para reaver 220 obras, mas teve o pedido negado e a sanidade questionada por membros da própria família. 

A coleção da família Geyer, com mais de 4 mil obras, é uma das mais importantes sobre temas brasileiros e inclui ainda peças do alemão Johan Moritz Rugendas e do francês Nicolas-Antoine Taunay. São desenhos, pinturas, gravuras, mapas, álbuns e livros de viagem sobre o Brasil, produzidos por artistas estrangeiros, cientistas, exploradores e viajantes de toda sorte que aqui estiveram nos séculos XVI, XVII, XVIII e, sobretudo, no XIX.

Após a morte do empresário, as disputas internas da família não apenas dilaceraram a coleção de arte. A petroquímica Unipar, que por décadas foi uma das líderes do mercado, acabou sendo liquidada e vendida “a preço de banana” para a Petrobras.

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