Guido Contini (Nicola Lama) cercado por suas mulheres em cena doa montagem brasileira do musical Nine

(1963), o mais orquestrado filme de  Frederico Fellini, surgiu de uma crise. Com o sucesso de La Dolce Vita (1960), o diretor italiano tinha muito dinheiro para realizar outra obra, mas faltava uma ideia para fazer um roteiro. Ele então vai para um spa com a mulher, Giulietta Masina, e começa lá a reviver histórias com as mulheres de sua vida, seus dramas, tensões, fantasiais.

Surge então o filme autobiográfico, o filme sobre o filme: um diretor de cinema, Guido Anselmi (Marcello Mastroianni) em crise, que vai para um spa e lá encontra, em sonho, realidade e fantasia, essas mulheres, a mãe, a mulher, a amante, a prostituta, a produtora dos seus filmes. O filme se torna um enorme sucesso, e vence o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1964.

Vinte anos depois, nos Estados Unidos, a Broadway saia de uma crise financeira e criativa e passava por uma transformação, em que os temas dos musicais ficavam mais densos. É nesse contexto que surge Nine, o musical inspirado na obra-prima de Fellini, em 1982, que ganha montagem brasileira.

Nine – Um Musical Felliniano, de Charles Möeller e Claudio Botelho, estreia neste sábado (23), com direção musical e versão brasileira de Claudio Botelho. As coreografias estão a cargo de  Alonso Barros e Charles Möeller, cenografia de Rogério Falcão. “O filme do Fellini é um musical mesmo que seja só Nino Rota embalando as canções”, diz Moëller.

No elenco  estão atrizes globais e de musicais, e o ator italiano Nicola Lama (Um Violinista no Telhado, O Mágico de Oz), no papel do diretor Guido Contini, protagonista que já foi vivido por Raul Julia (1982) e Antonio Banderas (2003) no teatro e por Daniel Day-Lewis no cinema, em Nine (2009), de Rob Marshall.

Assistimos a três cenas do espetáculo e o que podemos dizer é que está imperdível. Listamos cinco motivos para ver Nine.

É baseado em 8½

Porque é um dos mais importantes e extraordinários filmes da história do cinema.

Dirigido por Charles Möeller e Claudio Botelho

A dupla é sinônimo de trabalhos de alta qualidade, com direção e produção impecáveis. Esse é o trigésimo quinto trabalho deles, entre trabalhos autorias, adaptações de musicais brasileiros da Broadway e Londres, como A Noviça Rebelde (2008), Sassaricando – E o Rio Inventou a Marchinha  (2007), Ópera do Malandro (2003),  Cole Porter – Ele Nunca Disse que Me Amava (2000).  “Era sempre uma doença minha e do Cláudio fazer o Nine”, conta Möeller.

 

Atrizes globais 

O elenco estrelado tem Beatriz Segall (a mãe), Carol Castro, (a mulher),  Totia Meireles, (a produtora), Leticia Birkheuer (crítica de teatro). 

E atrizes de musicais

Malu Rodrigues é a amante, Carla; e Myra Ruiz a prostituta Saraghina, que arrasam no canto e na dança e, de quebra, na atuação.

 Figurino de Lino Villaventura 

Os figurinos da peça têm a assinatura do estilista Lino Villaventura, que estreia em musicais. O vestido de bafônico usado pela personagem de Totia Meireles poderia estar na vitrine da loja dele.

 

Nine – Um Musical Felliniano 

Teatro Porto Seguro
Alameda Barão de Piracicaba, 740 – Campos Elíseos – São Paulo

De 23 de maio a 9 de agosto
Quintas, Sextas e Sábados, às 21h. Domingos, às 19h.
Duração: 2h15
Classificação etária: 12 anos
Lotação: 508 lugares

Ingressos

Quintas e Sextas
R$ 80 (Frisa/Balcão), R$ 100 (Balcão Vip), R$ 150 (Plateia) e R$ 180 (Plateia Vip).

Sábados e Domingos
R$ 100 (Frisa/Balcão), R$ 130 (Balcão Vip), R$ 180 (Plateia) e R$ 200 (Plateia Vip).

 

 

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