Teatro musical já é peixe grande no Brasil. Em 2011, o País alcançou o posto de terceiro maior produtor de peças do gênero no mundo (atrás apenas dos Estados Unidos e do Reino Unido), e, nos últimos anos, o mercado vem crescendo. Mais do que adaptar musicais consagrados na gringa, as produtoras brasileiras têm investido cada vez mais em peças concebidas no Brasil, com músicas e temas brasileiros. No último ano, estiveram em cartaz espetáculos como Tim Maia – Vale Tudo, Rock in Rio e Milton Nascimento – Nada Será como Antes. Nesta sexta-feira (14), estreia em São Paulo a peça Elis, a Musical, que confirma essa fase.

Luiz Calainho, proprietário da Aventura Entretenimento, empresa que produz o espetáculo baseado na trajetória de Elis Regina, acredita que estamos “melhorando o gênero musical”. “Quem tem de investir em cultura nacional somos nós mesmos, os brasileiros”, argumenta. A produtora convocou Dennis Carvalho para dirigir a peça e Nelson Motta para escrever o texto. Ambos foram amigos da cantora gaúcha.

“Para Elis, tivemos a preocupação de montar um time artístico que compreendesse a dimensão desse nosso propósito, de valorizar a cultura brasileira. Ao mesmo tempo, queremos criar uma linguagem própria de musicais aqui no Brasil, senão fica aquele negócio de reproduzir o modelo norte-americano da Broadway. Não tem muito a ver com a gente”, disse o empresário.

Alonso Barros é o coreógrafo de Elis e tem vasta experiência com produções estrangeiras. Questionado sobre o desafio de trabalhar com um repertório de canções brasileiras, respondeu: “Eu praticamente me ofereci para fazer Elis. Sua música mudou minha vida. Quis fazer porque seria um desafio, e sabia que aquelas canções estavam dentro de mim. Minha ideia era entrar na cabeça da Elis com essa trupe e viajar. Durante o processo, vieram muitas ideias do elenco. O estilo que quis trazer para Elis é um estilo diferente do teatro musical norte-americano”.

Sem mais artigos