Em meio à depressão pela queda nas semifinais da Liga dos Campeões da Europa, o Barcelona relembra neste sábado (04) o 25º aniversário da confirmação do holandês Johan Cruyff como técnico, momento considerado chave na história do clube catalão, pela implementação de uma nova forma de jogar.

Jogador do Barça entre 1973 e 1978, Cruyff foi apresentado pelo então presidente Josep Lluís Núñez no dia 4 de maio de 1988, em uma manobra considerada ousada, já que o holandês era o nome preferido do grupo de oposição ao mandatário.

Vindo do Ajax, o campeão nacional nas temporadas 1985/1986 e 1986/1987, recebeu um “cheque em branco” para reformular a equipe. Entre os reforços, chegaram o meia José Mari Bakero, do Real Sociedad, o atacante Julio Salinas, do Atlético de Madrid, além do zagueiro Aloísio, do Internacional.

Antes da chegada de Cruyff, o Barcelona vivia uma profunda crise interna, com direito a um pedido público feito por jogadores pela renúncia de Núñez devido ao atraso de pagamentos de impostos, episódio que ficou conhecido como Motim de Hesperia, em referência ao nome do hotel onde o elenco se concentrava.

A decisão da contratação do holandês foi feita sob grande pressão, afinal, seu favorito era o espanhol Javier Clemente. A direção do clube, por sua vez, ameaçou um pedido de demissão em massa caso o então técnico do Espanyol fosse anunciado.

Clemente, em sua passagem como técnico do Athletic Bilbao, fez várias críticas ao “barcelonismo”, que o fez ser declarado como um inimigo do clube catalão. A situação piorou quando em um duelo entre as duas equipes, Diego Armando Maradona saiu contundido de campo em entrada de Andoni Goikoetxea.

As duas primeiras temporadas de Cruyff (com um título da Recopa Europeia na primeira e da Copa do Rei da Espanha na segunda), são consideradas momento crucial para a implantação de um estilo de futebol que existe até hoje, com predomínio da posse de bola, dos toques curtos e rápido, acima de tudo ofensivo.

As conquistas vieram uma atrás da outra, com direito a um tetracampeonato espanhol, e a então Copa dos Campeões da Europa, em 1991/1992. O casamento durou até 1996, mas já estava estremecido desde duas temporadas antes, quando o Barça foi goleado pelo Milan por 4 a 0, na decisão do principal torneio continental.

Apesar de sua queda ter acontecido duas rodadas antes do fim da temporada 1995/1996, Cruyff e seu legado seguiram com o clube, inclusive com participação do holandês nos bastidores. Isso durou até 2010, quando apoiou a candidatura à presidência de Joan Laporta, derrotado por Sandro Rossell.

Cruyff, inclusive era presidente de honra até a atual gestão do clube, mas acabou entregando o cargo por divergências com o atual mandatário do Barcelona, que surgiram ainda quando Rossell era diretor do clube.

Barcelona relembra amanhã os 25 anos da chegada do técnico Johan Cruyff

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