O tenista Bruno Soares alcançou na última semana ao lado do
austríaco Alexander Peya seu quarto título em duplas somente neste ano de 2013.
Foi na Inglaterra, no ATP 250 de Estabourne que, jogado na grama, é considerado
como preparação para o Grand Slam mais charmoso do circuito: Wimbledon.

O atleta concedeu entrevista ao Virgula Esporte e disse como
é ser respeitado nas quadras mundo afora, já que, ao lado de Peya, forma a
segunda dupla mais bem ranqueada da ATP, a associação mundial de tênis profissional, além do objetivo de jogar até os Jogos Olímpicos de 2020, quando terá 38 anos.

“Quando a gente entra na quadra, o ranking deixa de
influenciar um pouco. Acho que a única coisa que persiste é um respeito pelo
ano e pelos resultados que a gente vem tendo. Você vê que as outras duplas já
estão comentando, já estão vendo que a gente está jogando muito bem e existe
aquele respeito maior diante da gente”, confessou.

Bruno também garantiu que, no mundo do tênis, quando o
assunto é a disputa por duplas, os jogadores prezam pelo profissionalismo e
sabem que, no dia seguinte, seu carrasco pode ser o próximo parceiro de título.

“A maioria dos jogadores, principalmente os duplistas, se dá
muito bem e a gente sabe que isso faz parte do trabalho. Jogar um contra o
outro, enfrentar – uma vez você joga de parceiro, outra vez você joga contra.
Todo mundo sabe que isso aí faz parte do nosso dia a dia e faz parte do nosso
trabalho”, respondeu o mineiro.

Sobre o assunto de jogar ao lado ou contra um mesmo colega
tenista, Bruno viveu uma situação diferente, mas nem tão estranha no mundo do
tênis. No seu primeiro título deste ano (ATP 250 de Auckland), atuou ao lado do
inglês Colin Fleming, já que Peya estava lesionado. Em Eastbourne, foi sobre o
mesmo Fleming que conseguiu a vitória e levantou a taça ao lado do austríaco, já
recuperado.

“Sou bem amigo do Fleming e a gente leva isso numa boa”,
lembrou.

Agora, vivo em Wimbledon, passou da primeira rodada nessa terça-feira
(25) com vitória em cima de Eric Butorac (EUA) e Andy Ram (ISR). Butorac é o
mesmo que esteve ao seu lado no título do Brasil Open, em 2012.

O mundo do tênis dá realmente muitas voltas.

Leia abaixo a entrevista na íntegra:

Virgula Esporte: Você é o sexto atualmente do ranking
individual de duplistas da ATP, na frente até do seu companheiro, o Alexander
Peya (oitavo). Mas, no ranking de duplas, vocês estão em segundo; Como você
sentiu seus adversários na estreia de Wimbledon por verem à frente a segunda
melhor dupla do mundo (mesmo com o Butorac do outro lado, com quem você ganhou
o Brasil Open ano passado)?

Bruno Soares: É, realmente, quando a gente entra na quadra,
o ranking deixa de influenciar um pouco. Acho que a única coisa que persiste é
um respeito pelo ano e pelos resultados que a gente vem tendo. Você vê que as
outras duplas já estão comentando, já estão vendo que a gente está jogando
muito bem e existe aquele respeito maior diante da gente. Saímos como cabeça de
chave número 3 (em Wimbledon) e isso mostra toda essa evolução. Mas é aquele
negócio: no papel é uma coisa, quando começa o jogo acaba o favoritismo, acaba
tudo (isso). E realmente você tem que provar o porquê que você está naquele
ranking. Ali (em quadra) todo mundo começa do zero e tem que tentar ganhar o
jogo.

No última sexta-feira (21) você venceu na final seu
parceiro de título em Auckland, o Colin Fleming. Acha que pode ficar um clima
estranho depois se vocês se encontrarem no circuito ou a esportividade é levada
bem mais a sério nesses casos?

Não, não tem esse clima não. A maioria dos jogadores,
principalmente os duplistas, se dá muito bem e a gente sabe que isso faz parte
do trabalho. Jogar um contra o outro, enfrentar – uma vez você joga de
parceiro, outra vez você joga contra. Todo mundo sabe que isso aí faz parte do
nosso dia a dia e faz parte do nosso trabalho. Sou bem amigo do Fleming e a
gente leva isso numa boa.

Na Copa Davis, você e o Marcelo Melo venceram os já
lendários irmãos Bob e Mike Bryan. Conte o que você sentiu ao vencê-los, ainda
mais na casa deles e darem aquele fôlego para o time do Brasil que quase
conseguiu uma classificação histórica (Os Estados Unidos abriram 2 a 0 na soma
dos confrontos, mas a vitória de Bruno e Marcelo diminuiu para 2 a 1,
antecedendo outra vitória brasileira. Somente no último jogo da série os americanos
conseguiram a classificação).

Realmente aquela vitória contra os Bryan – minha e do
Marcelo – foi um dos momentos mais especiais da minha carreira. Como você
falou, “os lendários irmãos Bryan” fazem a melhor dupla de todos os tempos e
ter a possibilidade de enfrentá-los numa Copa Davis e sair com a vitória na
casa deles é um sentimento muito especial. Muito por tudo o que aconteceu, como
jogar ao lado do Marcelo, que é um dos meus melhores amigos, e também por ter
dado esse fôlego pro Brasil e quase ter saído com essa vitória de lá. Realmente
foi um momento especial pra ficar marcado na minha carreira.

Seu auge está acontecendo após os 30 anos. Tem algum
receio de se lesionar e perder esse ritmo tão bom que conseguiu nos últimos
torneios?

Sempre tem aquele receio do corpo. E quanto mais o tempo
passa, maior a nossa preocupação quanto a isso. Eu faço um trabalho muito forte
com o meu preparador físico e com o meu fisioterapeuta justamente para ter essa
longevidade. Já falei que a minha meta é jogar, no mínimo, até a Olimpíada de
2020 e, para isso, tenho que cuidar bastante do meu corpo. A gente sabe que a
cada dia que passa, fica mais difícil, a idade vai aumentando e o bicho vai
pegando, mas, realmente, venho fazendo um trabalho muito bacana com a minha
equipe e espero pode passar ileso por todos esses anos.

Você que é o atual campeão de duplas mistas do US Open, o
que espera pro torneio que vai acontecer daqui a poucos meses, já que entra
como um dos favoritos e defendendo o título?

Realmente vai ser uma sensação especial voltar ao US Open
depois de ter conquistado o título no ano passado. (Mas) não acho que muda nada
defender o título, esse tipo de coisa. O que acontece mesmo é essa sensação:
quando você volta num torneio, no ano seguinte – no qual você foi muito bem –,
tem toda aquela sensação especial. Você lembra os jogos que fez, os momentos, a
quadra, e passa aquele filme bacana na cabeça. Esse tipo de energia é muito
legal para começar o torneio, tem toda aquela vibração positiva. Mas acho que
não muda em nada em termos de pressão ou de defender o título, esse tipo de
coisa, não.

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